Amazonas

Governo já teria escolhido, sem licitação, a empresa que fará concurso da Sefaz-AM

O deputado Dermilson Chagas denunciou, nesta terça-feira (24/08/21), que o Governo do Amazonas já selecionou, sem processo de licitação, a empresa Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (atual Cebraspe e antiga Centro de Promoção e Seleção de Eventos – Cespe) para realizar o concurso público para o preenchimento de mais de 200 vagas na Secretaria de Estado da Fazenda do Amazonas (Sefaz-AM). A empresa já teve funcionários e ex-funcionários alvos de operação policial por envolvimento em fraudes de concursos em 2017 e 2018.

“Assim como eu denunciei os nomes das empresas que venceriam a concorrência para as obras da AM-010 um mês antes de fazerem a homologação, agora eu denuncio que o Governo do Estado já escolheu a empresa Cebraspe para beneficiar o grupo deles. Então, hoje, dia 24 de agosto, já estou denunciando o nome da empresa que ganhará a licitação, e espero que se tome providência a este respeito”, afirmou.

As vagas são para os cargos de auditores fiscais de tributos estaduais, analistas técnicos e assistentes. O parlamentar destacou que é necessário que os órgãos de controle investiguem a denúncia, especialmente porque, além da lisura ser imperativa em qualquer concurso público, há o fato de que, se já escolheram de forma irregular a empresa para realizar o evento, é sinal de que haverá também fraude na seleção dos candidatos.

Escândalos da Máfia dos Concursos

Em 21 de agosto de 2017, a “Operação Panoptes” descobriu uma máfia que fraudava vestibulares de cursos concorridos da Universidade de Brasília (UnB), mediante a cobrança de valores até de R$ 220 mil por uma vaga. A empresa responsável pelo vestibular foi o Cebraspe. As investigações iniciaram quando a Polícia Civil recebeu denúncias de fraudes no concurso do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal. Após a prisão dos suspeitos, a Polícia Civil descobriu que a quadrilha já agia há cinco anos, fraudando concursos públicos e que iria fraudar outros concursos, como o da Câmara Legislativa, do Senado Federal e do Ibama.

Um ex-funcionário do Cebraspe, Ricardo Silva do Nascimento, foi um dos presos pela “Operação Panoptes”. Em 2 de dezembro de 2017, mais de 33 funcionários do Cebraspe foram demitidos devido às fraudes realizadas pela Máfia dos Concursos. O Cebraspe desligou a equipe de organização e digitalização das provas em março daquele ano, quando as suspeitas de fraude iniciaram.

Esta não foi a primeira vez que o Cespe foi investigado por suspeita de fraudes em concursos. Em 2005, o Cebraspe também foi alvo da “Operação Galileu”, quando dois suspeitos que foram presos em 2005 também foram presos por fazerem parte da “Máfia dos Concursos”. Em 2017, um ex-funcionário do Cespe foi alvo da 3ª fase da “Operação Porta Fechada” quando foi filmado fraudando concurso para delegado em Goiás. O ex-funcionário foi demitido em março de 2017, assim que foi intimado a depor em Goiânia. Segundo a Polícia Civil apurou, o ex-servidor “subtraía o cartão-resposta dos candidatos, que entregavam os mesmos em branco, e, após a subtração, os preenchia indevidamente e os devolvia para a correção, fazendo com que os candidatos fossem aprovados sem fazer a prova.

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