Amazonas

Governador do Amazonas é alvo de nova fase da Operação Sangria, da Polícia Federal

Atualizada às 15h

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (02/06/21) a quarta fase da Operação Sangria. Nela, estão sendo investigados fatos relacionados a possíveis práticas de crimes, como pertencimento a organização criminosa, fraude a licitação e desvio de recursos públicos. Um dos alvos é o governador do Amazonas, Wilson Lima, que inclusive será julgado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) ainda hoje justamente por denúncias de fases anteriores da investigação.

A ação da Polícia Federal está cumprindo 25 mandados judiciais, expedidos pelo próprio STJ, sendo 19 mandados de busca e apreensão e 6 de prisão temporária, que serão cumpridos em Manaus e Porto Alegre, além de sequestro de bens e valores.

Segundo as investigações, há indícios de que funcionários do alto escalão da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas realizaram contratação fraudulenta para favorecer grupo de empresários locais, sob orientação da cúpula do Governo do Estado, de um hospital de campanha. De acordo com os elementos de prova, ele não atende às necessidades básicas de assistência à população atingida pela pandemia COVID-19, bem como coloca em risco de contaminação os pacientes e os funcionários da unidade.

Verificou-se, ainda, que contratos das áreas de conservação e limpeza, lavanderia hospitalar e diagnóstico por imagem, todos os três firmados em janeiro de 2021 com o Governo do Amazonas, cujos serviços são prestados em apoio ao hospital de campanha, contêm indícios de montagem e direcionamento de procedimento licitatório, prática de sobrepreço e não prestação de serviços contratados.

Os indiciados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de fraude à licitação, peculato e pertencimento a organização criminosa e, se condenados, poderão cumprir pena de até 24 anos de reclusão.

Tiros

Segundo o site O Antagonista, a Polícia Federal foi recebida a tiros pelo empresário Nilton Costa Lins Júnior, dono do hospital alugado pelo Estado para funcionar como hospital de campanha durante a pandemia. Outro alvo de prisão é o secretário de Saúde, Marcellus Campêlo, que iria depor na semana que vem na CPI da Pandemia no Senado. A PF também cumpriu mandado de busca e apreensão contra o governador e seu vice, Carlos Alberto Almeida Filho.

Os advogados do empresário Nilton Lins Júnior explicaram em nota que, por conta de um assalto sofrido anteriormente em sua residência, o empresário pensou se tratar de uma nova ocorrência semelhante e disparou dois tiros de alerta dentro de casa. Não houve feridos.

Nota

Em nota, o Governo do Amazonas afirmou que: “é de total interesse do Estado que os fatos relacionados às investigações em curso na área da saúde sejam esclarecidos. O governador Wilson Lima reitera que, desde o início da pandemia de Covid-19, sua gestão está voltada a preservar a saúde do povo do Amazonas e a salvar vidas, tendo determinado aos gestores estaduais que empreguem todos os esforços possíveis com esse objetivo, sempre pautando as ações públicas pelos princípios da legalidade e da transparência.

Desta forma, todos os investimentos feitos pelo Estado no enfrentamento da pandemia têm obedecido os trâmites legais de contratação de bens e serviços, sendo acompanhados de perto inclusive pelos órgãos de controle e também com prestação de contas sobre os gastos rigorosamente detalhados no Portal da Transparência. 

O governador Wilson Lima reafirma que se mantém à disposição das autoridades competentes para esclarecimentos sobre as ações de seu governo e reitera que está convicto de que não cometeu qualquer ilegalidade e que confia na Justiça”.

Foto: Maurílio Rodrigues/Secom

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