Amazonas Covid-19

Estudo da proxalutamida no Amazonas é alvo de investigação no Conep

Segundo o blog da jornalista Malu Gaspar, ensaio realizado nos hospitais do grupo Samel tem suspeita de falhas e fraudes. Samel possui parceria com empresa norte-americana Applied Biology, ligada a Andy Goren um dos responsáveis pelo estudo

Corrigida às 19h

Segundo o blog da jornalista Malu Gaspar, de O Globo, o estudo da proxalutamida em pacientes com a Covid-19 no Amazonas está sendo alvo de investigação pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), responsável pela análise e aprovação dos estudos científicos no Brasil. De acordo com a jornalista, o experimento apresenta uma série de irregularidades listadas em relatório que deve ser enviado ao Ministério Público, à Anvisa e ao Conselho Federal de Medicina (CFM) pedindo a abertura de um inquérito para investigar suspeitas de fraude e falhas graves.

O ensaio clínico do medicamento foi feito em Manaus e em nove cidades do interior do estado, entre 2 de fevereiro e 22 de março. Os resultados foram divulgados numa entrevista coletiva no dia 11 do mesmo mês, realizada pelo Grupo Samel e a Applied Biology, parceiros na realização do ensaio. O Vocativo decidiu não publicar nenhuma informação a respeito até que o estudo fosse devidamente publicado, o que não aconteceu até hoje.

Dentre as irregularidades, o relatório ao qual a jornalista teve acesso aponta suspeitas de fraudes e falhas graves como a morte de um número alto de voluntários. Há basicamente dois problemas: a discrepância no número de mortes ocorridas durante a realização do estudo e nos dados de eficácia do medicamento contra a Covid-19.

No momento em que as mortes aconteceram, o estudo deveria ter sido suspenso e elas deveriam ter sido comunicadas imediatamente ao Conep, o que não aconteceu. Haveria também uma mudança durante o estudo que não foi devidamente comunicada ao comitê. Inicialmente, a proxalutamida seria ministrada em 255 pacientes com Covid moderada, mas acabou sendo aplicada também em outros 355 pacientes graves. O presidente do Grupo Samel, rede de hospitais onde foi feito o estudo, Luis Alberto Nicolau, anunciou em fevereiro que 588 pacientes haviam participado do ensaio clínico.

O número de mortes informado pelos autores também tem problemas. Durante o estudo, morreram 200 pacientes, não apenas os 141 divulgados no documento distribuído à imprensa na época. Vale ressaltar que essas mortes não podem ser atribuídas ao uso do remédio, apenas aconteceram durante a realização do ensaio. No entanto, essa diferença interfere no cálculo da eficácia do medicamento. Segundo a matéria, até o momento não foram dadas informações detalhadas sobre esses óbitos.

Mas há outros problemas. O ensaio deveria ser o chamado randomizado duplo-cego, ou seja, quando nem os voluntários e nem os cientistas sabem quem recebeu o fármaco e quem recebeu placebo. A ideia é justamente evitar que o pesquisador induza o experimento de acordo com suas expectativas, o que acabou não acontecendo segundo o Conep. Nesse caso, não é possível afirmar se era ou não a proxalutamida que estava provocando as mortes ou tendo qualquer efeito prático. Nesse caso, o trabalho teria que ser interrompido imediatamente. E não foi.

Há ainda a suspeita de conflito de interesses no caso. O responsável pelo monitoramento desse estudo foi justamente Andy Goren, dono do laboratório que financiou parte dos estudos no Brasil e tem parceria com a desenvolvedora chinesa do remédio, a Kintor. Mas os negócios de Goren não páram por aí.

No começo de março, o presidente do Grupo Samel, Luis Alberto Nicolau, acompanhado do diretor técnico dos Hospitais Samel, Dr. Daniel Fonseca, anunciou, através de um vídeo, uma nova parceria entre a instituição e a empresa norte-americana Applied Biology, ligada a Andy Goren. No caso, seria criado um centro de pesquisa clínica com foco na Covid-19 e suas variantes no Amazonas.

Samel contesta, mas não apresenta dados

Após a primeira publicação de material sobre assunto pelo blog da jornalista, o presidente do Grupo Samel, Luis Alberto Nicolau acusou a jornalista de “tentar politizar as discussões em torno do estudo clínico que testou a proxalutamida no tratamento da Covid-19, desenvolvido em parceria com cientistas da empresa norte-americana Applied Biology”. Apesar disso, o parlamentar não apresentou nenhuma informação até o momento para contestar os dados apresentados na matéria.

Foto: Arquivo Samel

3 comentários

  1. BRASIL NÃO APRENDE…. A PRÓXIMA DAS ELEIÇÕES D 2022 COMEÇA AS BRIGAS POLÍTICAS… UM ACUSA DAQUI OUTRO DALI … AIAI. ARTHUR X NICOLAU . NÃO VOTO EM NENHUM DESSAS RAÇAS NOJENTAS

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