Matiz Territórios

É preciso socorrer os trabalhadores do setor de cultura e eventos

Ao que tudo indica, o Amazonas, em breve, terá de adotar mais restrições de atividades, sob pena de novos colapsos. Com isso, governo do Amazonas e prefeitura de Manaus precisam preparar planos de socorro financeiro a setores de cultura e eventos

Quem passeia por Manaus neste momento encontra muitos outdoors de eventos pré-carnaval pela cidade. Infelizmente, todos terão de ser ou cancelados ou remanejados devido ao último decreto de restrições no estado. Isso é de partir o coração, porque essas pessoas foram surpreendidas pelo novo decreto de restrições e agora perderão renda. O caso é que o poder público não foi surpreendido. Ele foi alertado dos riscos de deixar o vírus solto e ao invés de agir, preferiu contar com a sorte. Agora, quem ajudará os trabalhadores do setor de entretenimento?

O aumento de casos de Covid-19 no Amazonas, especificamente em Manaus, já é incontestável. E pela triste dinâmica conhecida da pandemia, as internações e óbitos devem aumentar em algumas semanas (ainda que, esperamos, não no mesmo nível de janeiro de 2021), o que pode gerar ainda mais restrições de atividades econômicas, prejudicando ainda mais pessoas. E depois de duas ondas, o poder público tem obrigação de elaborar imediatamente planos de contingência para socorrer financeiramente quem não puder trabalhar.

Não faltaram avisos. Especialistas do mundo inteiro alertaram desde o início da pandemia: mesmo que a vacina chegue (e chegou), ela não fará milagres e não será a fórmula mágica que vai erradicar o coronavírus. Seria preciso manter o uso de boas máscaras, ventilação de ambientes e testagem em massa. Nada disso foi feito e, como sempre, a realidade se impôs. Tal qual em 2020, contamos novamente com a sorte e, felizmente, uma nova aliada, que é a vacina. Queira o destino que seja o suficiente para evitar novas tragédias. Enquanto isso, é preciso se preparar para novos e possíveis fechamentos.

Como já foi dito, a realidade sempre vence. E tudo indica que, com a vacinação totalmente estagnada e uma variante mais transmissível, mais cedo ou mais tarde, bares, restaurantes e até academias podem ter de ser fechados novamente, sob pena de novos colapsos na saúde. E o que farão governo do estado e prefeitura de Manaus? Vão novamente fingir que nada tem com isso? Contarão com o imprestável governo Bolsonaro?

Leigos e trabalhadores do setor cultural e de eventos podem ser surpreendidos por aumento de casos e novas restrições. Eles não são pagos pra se informar sobre o coronavírus ou saúde pública. Nossos gestores públicos sim. Seria uma ótima hora de parar de gastar bilhões em obras faraônicas eleitoreiras e destinar uma parte desse recurso para planos de financiamento emergencial para estes setores. Até porque isso dá votos também.


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