Amazonas

Desmatamento de junho de 2021 confirma pior semestre na Amazônia desde 2016

Desmatamento registrado em junho na Amazônia cresceu pelo terceiro ano consecutivo

O desmatamento registrado em junho na Amazônia cresceu pelo terceiro ano consecutivo: foram 1.062 quilômetros quadrados num único mês, observados pelo sistema Deter, versus 1.043 km2 em junho de 2020 e 935 km2 em 2019. Houve uma queda em relação a maio desse ano, que apresentou um pico de 1.391 km2; contudo, confirma o primeiro semestre com mais derrubada desde 2016, com 3.610 km2, ou 17% a mais do que o mesmo período de 2020 – fato já determinado na semana passada, quando faltavam números dos últimos cinco dias de junho na divulgação feita pelo INPE.

O Deter costuma apresentar dados subestimados em relação ao sistema oficial de monitoramento do desmatamento da Amazônia, o Prodes, que é divulgado anualmente. Contudo, indica tendências. “O aumento do desmatamento na Amazônia se confirma, o que é extremamente preocupante. O sul da região pode sofrer uma seca mais pronunciada em 2021, então o combate em campo será duplamente desafiador para o governo federal”, diz o pesquisador sênior do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), Paulo Moutinho.

Segundo estudo recém-lançado pelo IPAM e o Woodwell Climate Research Center, existem 5 mil quilômetros quadrados de vegetação desmatada desde 2019 esperando o fogo, e um efeito somado do fenômeno La Niña e o aquecimento de partes do Atlântico Tropical Norte pode criar condições mais secas para a região – o que facilita o espalhamento do fogo.

Nesta semana, o vice-presidente Hamilton Mourão, que lidera o Conselho Nacional da Amazônia, afirmou que o objetivo da GLO (Garantia da Lei e da Ordem) na região nos próximos meses é reduzir em 10% o desmatamento.

“É insuficiente: só a derrubada que acontece nas florestas públicas não destinadas, que é totalmente ilegal, responde por um terço de todo o desmatamento na Amazônia”, afirma Moutinho. “A sinalização de que alguma ilegalidade é admitida, somada a projetos como o PL 2633, que em nome da regularização fundiária pode anistiar grilagem, tendem a estimular ainda mais desmatamento.”

Outro ponto de preocupação é a falta de clareza sobre ações de coibição das queimadas. “A publicação de uma moratória do fogo neste ano, como aconteceu no ano passado, deve ser seguida de apoio às brigadas em campo e a um trabalho de conscientização em curto e médio prazo, para que o fogo deixe de ser usado na prática rural”, explica o diretor de Políticas Públicas e Desenvolvimento Territorial do IPAM, Eugênio Pantoja.

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