Amazonas

Denúncia contra estudo da cloroquina em Manaus foi arquivada ainda em 2020

Apesar da insistência de bolsonaristas no assunto, denúncia foi arquivada e estudo se tornou referência internacional ao ser publicado no periódico científico internacional Jama

O estudo sobre o uso de hidroxicloroquina em pacientes com Covid-19 em Manaus, realizado em abril de 2020, tem retornado ao noticiário. O motivo são os constantes ataques de militantes bolsonaristas, que acusam os autores da pesquisa de matarem pacientes envolvidos para “desacreditar” o uso do medicamento. O Vocativo explicou todo o caso como você pode conferir clicando aqui.

O senador governista Luis Carlos Heinze (PP-RS), por exemplo que integra a CPI da Pandemia, disse que apresentou ao diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Gustavo Maiurino, um pedido de investigação sobre o uso elevado da hidroxicloroquina, em Manaus, no início da pandemia, em março de 2020. Em depoimento na manhã desta quarta-feira (19/05), o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, também voltou a atacar o trabalho dos cientistas do Amazonas

No entanto, as denúncias junto à Procuradoria da República da República já foram feitas e arquivadas em setembro de 2020, como mostra o documento abaixo. A denúncia também foi feita Conselho Federal de Medicina do Amazonas (CREMAM) e o resultado foi o mesmo.

Referência internacional

Mas não foi só isso. O estudo se tornou referência internacional e foi publicado no último dia 24 de abril no respeitado periódico científico internacional Jama. Os cientistas norte-americanos Stephan Fihn, Eli Perencevich e Steven Bradley avaliaram o artigo brasileiro em editorial na revista e acreditam que os resultados corroboram para as evidências crescentes de que, ao contrário do que se acreditava, a cloroquina não é eficaz no tratamento da Covid-19.

A acusação de crime também é infundada porque o próprio autor da pesquisa, infectologista Marcus Lacerda, da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), confirmou os dados em vídeo públicado no canal do Governo do Amazonas em abril de 2020, explicando os resultados.

“Nós testamos duas doses de cloroquina: uma dose que tem sido usada pelos americanos e outros países, e uma dose que os chineses usavam, que é uma dose muito alta, mas que foi usada no início da epidemia na China. Não existia nenhum trabalho, até então, comparando as doses para ver a toxicidade dessa dose maior”, explicou Lacerda, citando na época os outros estudos em andamento.

Além disso, o estudo teve outras instituições atuando na pesquisa, como a própria Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas, além do Laboratório Central de Saúde Pública do Amazonas (Lacen-AM), Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Fiocruz Amazônia e Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos).

Foto: Agência Brasil / Divulgação/Secom

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: