Amazonas

CPI apura denúncias de práticas abusivas, fraudes e agressões da Amazonas Energia

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Amazonas Energia da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) tem recebido graves denúncias contra a fornecedora de energia do estado desde o início dos seus trabalhos, em outubro. Elas vão desde fraudes, até práticas abusivas e agressões.

Os depoentes convidados nesta quinta-feira (11), os senhores Marcelo Medeiros de Castro, Izaquiel Martins da Silva e Raimundo Alves da Silva Neto, residentes na cidade de Manaus, afirmam que sofreram práticas abusivas e criminosas por parte da concessionária de energia.

Marcelo de Castro, dono de uma padaria no bairro Parque 10 de Novembro, relatou na CPI que teve um vídeo viralizado, na internet, após funcionários da empresa Amazonas Energia forçarem o corte de energia em seu estabelecimento. “Filmamos toda a situação para nos resguardar, até porque não houve nenhum tipo de notificação para tal ação. Eles adentraram em minha padaria e disseram que iriam levar também o contador porque, segundo eles, havia suspeita de fraude e eu disse não. Eles ficaram me atiçando para eu perder a minha razão, me descontrolar, mas, em nenhum momento eu os agredi. Está tudo gravado”, contou Marcelo.

Ainda segundo o comerciante, os funcionários atentaram contra a sua vida, no mento em que desferiram um golpe conhecido como mata-leão – golpe de estrangulamento usado nas artes marciais japonesas. “Depois de muito xingamento e bate-boca eles me agrediram, ou seja, além de ter a minha dignidade ferida, atentaram contra a minha vida, tudo isso na frente de quem quisesse ver, até dos meus clientes, nos causando diversos transtornos, porque viralizou na internet”, esclareceu Marcelo.

“Eu estava com faturas atrasadas, mas, disposto a negociar, os funcionários não precisavam se comportar daquela maneira desrespeitosa. Fiz exame de corpo e delito, boletim de ocorrência e três dias depois paguei a minha dívida”, completou Marcelo de Castro.

O segundo depoente, Izaquiel Martins da Silva, dono de um galpão, relatou que ficou preso por três dias, na penitenciária, mesmo depois de ter quitado sua dívida com a empresa Amazonas Energia.

“No dia que parcelei e paguei o meu débito, meia hora depois, funcionários da empresa de energia me ligam dizendo que eu estava irregular com relação ao meu cabeamento. Posteriormente, fiz o cabeamento e um carro da polícia apareceu e me levou para delegacia, dizendo que eu estava fazendo gato. Lá, já estavam advogados da Amazonas Energia e testemunhas. Eu não tive como me defender, na hora. Fui algemado nos pés e nas mãos e baixei para penitenciária como se eu fosse um bandido”, desabafou Izaquiel.

O terceiro depoente, Raimundo Alves da Silva, contou que sofreu uma situação parecida com a de Izaquiel em que funcionários da empresa afirmaram que Raimundo estava furtando energia e logo após a polícia foi contatada, levando o suspeito preso. Izaquiel e Raimundo foram isentados de culpa e sentença, tendo o processo arquivado pela justiça. 

Em todos os fatos narrados pelos depoentes houve a presença da polícia militar e, por conta desse fato, o presidente da CPI da Amazonas Energia, deputado estadual Sinésio Campos (PT), questionou o motivo da polícia militar está sempre junto nessas situações que “acabam inibindo o cidadão de bem, fazendo com que se sintam verdadeiros bandidos”. Ele acrescentou ainda que não vai admitir que o povo seja tratado como fora da lei,  visto que, segundo o parlamentar, “o verdadeiro fora da lei, nessas histórias, é a Amazonas Energia”. 

Queixas

Na última quarta-feira (10/11/21), o assessor jurídico da Comissão de Defesa do Consumidor (CDC) da Casa Legislativa, Paulo Rogério, foi convidado para esclarecer sobre as demandas, que a população leva à CDC/Aleam contra a concessionária de energia.

“Nós temos vários tipos de queixas. No relatório que preparamos para entregar à CPI destacamos casos de cobrança abusiva, aplicação errônea de multas, responsabilidade por danos elétricos, interrupção de serviços sem aviso prévio e mesmo casos em que a empresa obriga os cidadãos a assumir dívidas de terceiros, até mesmo de pessoas que já morreram”, detalhou.

Segundo o diretor-presidente da Associação Amazonense de Municípios (AAM), Jair Souto (MDB), atual prefeito de Manaquiri, as queixas sobre a prestação de serviço no interior da Amazonas Energia são frequentes, em virtude dos apagões, racionamentos, atendimento ruim e preços abusivos.

“Tanto nas áreas urbanas quanto nas áreas rurais, destacou- se o maior grau de insatisfação com relação ao serviço prestado na área rural, em que 69,4% declararam insatisfação, enquanto a área urbana apresentou 56,4%”, declarou Jair Souto.

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