Amazônia Covid-19

Covid-19: É hora de retomar máscaras e atualizar vacinas

Com a proximidade das festas de final de ano e o início da Copa do Mundo, aglomerações serão cada vez mais comuns em toda parte. E justamente no momento em que 12 estados do país, incluindo o Amazonas, registram aumento de casos de Covid-19, problemas na cobertura vacinal e novas subvariantes da Ômicron circulando.

Pensando nisso, o Vocativo ouviu especialistas para saber o que esperar nas próximas semanas. Todos foram unânimes em apontar duas prioridades: retormar o uso de máscaras pelo menos em ambientes fechados e atualizar as vacinas existentes para as novas variantes e subvariantes do do coronavírus SARS-CoV-2.

Novas subvariantes

Atualmente, as subvariantes que mais circulam no mundo foram originadas pela variante Ômicron: a BQ.1, responsável por 15% das infecções no mundo atualmente e a BA.5.3.1. Durante a primeira quinzena de outubro, o estado do Amazonas registrou aumento de 630% na média de novos casos diários de Covid-19.  Em investigação realizada em amostras colhidas até 21 de outubro, a subvariante BA.5.3.1 mostrou predomínio de 94%, enquanto só um caso da BQ.1 foi encontrado.

“Como estamos vendo, existe um aumento de casos no Amazonas recentemente, que não está associado, até o momento, com o avanço da BQ.1 e, sim, à sublinhagem BA.5.3.1”, afirmou o virologista Felipe Naveca, coordenador do Núcleo de Vigilância de Vírus Emergentes, Reemergentes ou Negligenciados do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia).

Demais fatores

O epidemiologista Jesem Orellana, também do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), alerta que outros fatores também causaram esse aumento de casos. “Abandono de precauções não farmacológicas (máscara, álcool em gel, distanciamento físico), falsa sensação de fim da pandemia, recentes mutações do novo coronavírus, queda da resposta imunológica dos vacinados e, também, mas não como algo crucial, o início do período chuvoso na Amazônia”, afirma.

O retorno das máscaras

Embora as vacinas sejam hoje a principal arma contra o vírus, é sempre importante lembrar que a principal função dela não é impedir a transmissão, mas sim casos graves. A tarefa de bloquear a doença e impedir o contágio ainda é das máscaras.

“A vacinação por si só não bloqueia a transmissão. Ela nos protege de sintomas graves. Mas para não ter qualquer sintoma e evitar grandes aumentos de casos, a máscara é recomendável”, orienta Melissa Markoski, professora de Biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Melissa entende ser muito difícil fazer a população aderir em massa ao uso de máscaras como em 2020 e 2021, mas em alguns locais com pouca ventilação, isso é necessário.

A professora ressaltou ainda que alguns grupos devem ficar mais atentos. “Os mais suscetíveis a desenvolver sintomas mais graves como idosos, imunossuprimidos e portadores de comorbidades é bastante recomendável. Ou mesmo para pessoas que trabalham em casas que cuidam de idosos ou familiares que visitam idosos”, recomenda.

Mas, qualquer que seja o ambiente em que se incontre, é importante ficar atento e usar máscaras em uma situação específica: em caso de sintomas gripais. “Mesmo que sejam sintomas de alergia. Nesse caso, é importante que você fique em casa ou passe a usar máscaras do tipo PFF2”, orienta Letícia Sarturi, Mestre em Imunologia, doutora em Biociências e roteirista do podcast @EscutaACiencia. “Tenho visto pessoas com sintomas sem usar máscara. E diante de uma nova onda da doença, o mais provável é que seja Covid”, explica.

“As autoridades precisam orientar o uso obrigatório de máscaras em ambientes fechados, aumentar o acesso a álcool em gel ou água com sabão para desinfecção/higienização das mãos, bem como devemos retomar o distanciamento físico, sempre que possível. Finalmente e, talvez mais importante, atualização do calendário vacinal, em especial das doses de reforço, fundamentais à prevenção de casos graves e mortes por Covid-19”, pede Jesem Orellana.

É hora de atualizar as vacinas?

Passados dois anos do início da pandemia, o vírus circulou bastante na humanidade, acumulando muitas mutações. Embora as vacinas atuais ainda protejam contra formas graves da doença, a quantidade de casos que estamos presenciando deixa clara a importância de atualizar os imunizantes para as novas versões do coronavírus.

Segundo Melissa Markowski, as sublinhagens BQ.1 e BA.5.3.1 já conseguem driblar parcialmente a proteção das vacinas e embora a ocorrência das formas graves da doença seja evitada, ainda há risco de sequelas pela exposição ao vírus. “O ideal é que fosse disponibilizada para a população uma vacina atualizada que ofereça uma proteção mais direta”, analisa.

Diante desse cenário, é fundamental que a nova gestão do Ministério da Saúde que vai assumir em janeiro comece desde já, na transição de governo, a tratar da compra dessas novas doses. “Teremos que fazer isso por muitos anos, provavelmente, tal como ocorre com a vacina contra a gripe (vacinação contra a influenza), voltada para grupos mais vulneráveis como idosos, crianças e gestantes, por exemplo”, afirma Jesem Orellana.

Há mais uma vantagem em atualizar as vacinas existentes: a possibilidade de frear o avanço de múltiplas variantes ao mesmo tempo. Mas apesar disso, estudos recentes da Pfizer mostraram que essa atualização não influencia diretamente na capacidade protetora dos imunizantes existentes. Ou seja, as vacinas que temos hoje ainda são fundamentais. Desde que, claro, cada um complete o ciclo vacinal com duas doses iniciais e duas doses de reforço.

“Diante desse quadro, as vacinas que nós temos hoje, que são feitas a partir da cepa original do vírus, já permitem ficarmos protegidos contra essa nova onda. Só que tem muitas pessoas que ainda não completaram seu esquema de doses. A terceira dose é essencial pra permitir uma especialização da nossa resposta imune, mesmo contra essas variantes”, afirma Letícia Sarturi.

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