Amazonas

Covid-19: Amazonas inicia ano letivo presencial com apenas 15% dos alunos vacinados

Com média diária de dois mil casos de Covid-19 por dia, as aulas presenciais na rede pública de ensino no Amazonas estão marcadas para começar nesta segunda-feira (14/02/2022). Enquanto isso, a vacinação de crianças entre 05 e 11 anos caminha a passos de tartaruga, com apenas 15% dessa faixa etária com a primeira dose de vacina em todo estado.

Ao todo serão 417 mil alunos em 605 escolas da rede estadual de ensino. Segundo dados Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Drª Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) obtidos pelo Vocativo, até esta quinta-feira (10/02/2022), foram aplicadas 70.761 doses em crianças de 5 a 11 anos, sendo 54.675 na capital e 16.086 doses aplicadas no interior. Neste sábado, a prefeitura de Manaus vacinou mais 15.136 crianças, levando o total para 85.897.

Embora pareça grande, esse número ainda está muito distante do ideal. Segundo a própria FVS-RCP a estimativa divulgada pelo Ministério da Saúde é vacinar cerca de 566 mil crianças na faixa etária de 5 a 11 anos em todo o Amazonas, o que significa que apenas 15% desse público recebeu a primeira dose da vacina, o que deixa a perspectiva de completar o esquema vacinal contra a Covid-19 ainda mais distante.

“O fato de as crianças estarem vacinadas, não significa que estão automaticamente protegidas pelo efeito do imunizante, pois só é possível falar em efeito protetor pleno da vacina sobre o sistema de defesa ou imunológico, 14 dias depois da segunda dose da vacina contra a Covid-19. Diversos estudos já mostraram que uma dose e em curto intervalo de tempo oferece proteção limitada. Portanto, esse retorno é duplamente precoce, pois não há ampla segurança sanitária para tal e nem proteção imunológica robusta oferecida por um esquema vacinal completo”, alerta Jesem Orellana, epidemiologista da Fiocruz Amazônia.

Riscos

Vale lembrar que o Amazonas ainda segue na fase vermelha – a segunda mais grave – de transmissão do coronavírus SARS-COV-2 e atualmente registra média diária de dois mil casos de Covid-19. Nesse cenário, ampliar a circulação de pessoas (crianças no caso), vai aumentar ainda mais a circulação do próprio vírus, o que deixará elas mesmas e os adultos em risco.

“As crianças não estarão suficientemente protegidas ou estarão com o esquema vacinal incompleto. Além disso, as máscaras de pano que usam (quando usam adequada e oportunamente), oferecem segurança muito limitada, para ela e para demais contatos. Para os já vacinados com esquema completo ou não vacinados, por exemplo, riscos diferenciados, pois os já vacinados e ainda que com esquema completo e dependendo dos fatores de risco que apresentem (pressão alta, diabetes, problemas renais e etc), podem se infectar e, eventualmente, adoecer gravemente ou morrer. Já os não vacinados, são os mesmos que nesta fase da pandemia, estão adoecendo e morrendo mais que os demais, justamente por não terem proteção robusta contra o SARS-COV-2, a qual só é conferida pelo esquema completo”, afirma o pesquisador.

Comprovante de imunização

Apesar de totalmente segura e eficaz, a maioria dos pais do Amazonas ainda não levou seus filhos para os postos de saúde, mesmo com todas as crianças entre 05 e 11 anos aptas a receber a vacina. Uma maneira de reforçar essa importância seria exigir o comprovante de imunização, mas as autoridades de saúde do estado se negam a fazer isso.

Durante esta semana, o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), desistiu de exigir o comprovante de vacinação para que os alunos possam frequentar a sala de aula. Antes disso, o governador Wilson Lima havia se antecipado e descartou qualquer exigência desse tipo em todo estado.

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