Amazônia

COP27: Povos tradicionais atacam o ‘colonialismo climático’

Representantes de povos da Amazônia estão aproveitando a COP27 para alertar que os recursos atuais para financiamento climático não chegam ao destino final. Comunidades indígenas e tradicionais receberam apenas 7% da verba de US$ 1,7 bilhão prometida durante a COP26, no ano passado, em Glasgow, pela coalizão de doadores do setor público e de instituições filantrópicas privadas para suspender e reverter o desmatamento e a degradação da terra.

“Precisamos reconstruir nosso futuro. E faremos isso entendendo que atingir nossos objetivos estabelecidos no Acordo de Paris passa pela preservação da Amazônia e pela colaboração com os povos tradicionais”, afirma o diretor de Políticas Públicas e Desenvolvimento Territorial do IPAM, Eugênio Pantoja, e moderador do painel O papel do financiamento global do clima na proteção das florestas tropicais – como alcançar reduções efetivas de emissões, neste sábado (12/11/2022), no Brazil Climate Action Hub, espaço da sociedade civil brasileira na COP27.

No Brazil Hub foram discutidos arranjos nacionais e internacionais de financiamento para destravar e direcionar subsídios, priorizando comunidades mais afetadas pelos efeitos da crise climática. Os povos tradicionais são essenciais para a preservação das florestas, mas sua voz não é ouvida nem considerada, disse Juliana Kerexu, coordenadora da Comissão Guarani Yvopurá na Articulação dos Povos Indígenas do Brasil.

Fiscalização internacional

Ex-gestora do Fundo Amazônia e Líder da Estratégia de Engajamento da EMERGENT com o Brasil, Juliana Santiago defendeu a revisão urgente dos métodos de financiamento para quebrar a “lógica colonial do financiamento climático”. “Não podemos criar processos com padrão suíço para uma realidade amazônica. Vivemos em um país que não conhece e reconhece as florestas e a diversidade étnica e indígena, isso é uma hipocrisia”, afirmou.

Representante dos povos Guarani na Mata Atlântica, no Sul e no Sudeste, Juliana defendeu mecanismos internacionais de fiscalização para garantir que os recursos destinados cheguem às comunidades da floresta. E cobrou um olhar mais abrangente para os demais biomas brasileiros. Na perspectiva indígena, os biomas são interligados, não existe Amazônia sem Cerrado, Cerrado sem Caatinga, Caatinga sem Mata Atlântica, nem Mata Atlântica sem os Pampas.

Assegurar o acesso dos povos tradicionais às ferramentas de financiamento climático é um passo fundamental para a implementação rápida de políticas de combate às mudanças climáticas. “Evitar desmatamento implica em implementar políticas de financiamento e ajuda a países como Brasil, Indonésia e Congo para proteção da massa florestal do planeta”, disse Gabriel Labbate, especialista em REDD++ e representante do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

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