Amazonas

Casos de Influenza A crescem 8 vezes no Amazonas desde novembro

A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Drª Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) afirmou estar monitorando o aumento de casos de Influenza no Amazonas. O número de casos passou de 53 para 494 desde o início de novembro até esta sexta-feira (17/12/21). O aumento chega a 9 vezes ou nada menos que 832%. Até o momento, no entanto, nem a prefeitura de Manaus, nem o governo do Amazonas decretaram estado de epidemia.

Os 494 casos foram confirmados a partir do processamento de 6.175 amostras no Lacen-AM. O Amazonas enfrenta período sazonal para a ocorrência de vírus respiratórios, entre a Influenza A (H3N2), que coincide com o período chuvoso no estado, registrado entre novembro e maio anualmente.

Conforme levantamento do Departamento de Vigilância Epidemiológica da FVS-RCP, no período de 21 a 27 de novembro, foram registrados 53 casos. Já no período de 12 a 17 de dezembro, que ainda segue em curso, foram registrados mais 262 casos, representando 33% de positividade. Nesta sexta, 17 de dezembro, o número chegou a 494 casos em todo estado.

Ainda segundo o levantamento, a faixa etária mais acometida pelo vírus inclui pessoas de 20 a 29 anos, com 212 casos. O diretor técnico da FVS-RCP, Daniel Barros, destaca que, apesar do aumento, a maioria dos casos são de quadro clínico leve e sem necessidade de internação hospitalar. “Estamos em período sazonal e a FVS-RCP vem alertando, por meio de notas técnicas, comunicados e boletins epidemiológicos, que é comum o aumento de casos dos vírus respiratórios nessa época de período chuvoso no estado”, afirma.

Epidemia

Questionada pelo Vocativo, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) de Manaus informou que não há previsão de que seja decretada epidemia na capital. A justificativa é que a região se encontra no período de sazonalidade das síndromes gripais, portanto, é esperado aumento no número de casos e que só poderia caracterizar epidemia se fosse fora desse período, como está ocorrendo no Rio de Janeiro ou São Paulo.

Esse posicionamento, no entanto, é contestado por especialistas. “Essa resposta é insuficiente. Precisam mostrar se o número de casos está acima da média histórica de 2019 para antes desse ano”, afirma Paulo Lotufo, epidemiologista e professor da Universidade de São Paulo (USP).

O também epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz Amazônia, lembrou que não foram alcançados os 90% de imunização contra a Influenza A, meta determinada pelo Ministério da Saúde. “As doses remanescentes foram abertas para o público geral, ou seja, alem de terem falhado nas três etapas da campanha em 2021, ao não alcançar a meta mínima de cobertura vacinal, ignoram que a maior parte dos vacinados tomou a vacina há mais de 6 meses, sendo que ela vai perdendo efeito protetor e que caso a variante Darwin (H3N2) seja a predominante, como no Rio de Janeiro, por exemplo, a vacina previamente distribuída não cobre”, afirma.

Orientações

Conforme a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), a população deve ficar atenta caso apresente sintomas gripais, e procurar atendimento médico em unidade de saúde mais próxima, dependendo da gravidade dos sintomas.

Em caso de febre, dores no corpo de forma leve, corizas, procurar inicialmente uma unidade básica mais próxima. Caso o quadro seja um pouco mais grave, como falta de ar, cansaço e outros sintomas associados, procurar serviço de pronto atendimento ou uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

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