Amazonas Covid-19

Após problemas, estudo da proxalutamida da Samel é retirado de revista

O estudo da Proxalutamida publicado no periódico Frontiers in Medicine foi retirado do ar nesta quarta. A publicação era um argumento de defesa dos autores do estudo, conduzido na rede de hospitais particulares Samel, em Manaus

O estudo da Proxalutamida publicado no periódico Frontiers in Medicine foi retirado do ar nesta quarta-feira (09/06/2022). No estudo, os pesquisadores argumentaram que a taxa de hospitalização em homens tratados com o medicamento foi reduzida em 91%. Uma avaliação da Comissão de Ética e Pesquisa (Conep), no entanto, constatou graves problemas na condução do ensaio clínico.

Os editores-chefes do Frontiers alegaram “preocupações sérias levantadas ao escritório em relação à integridade do artigo, após o que uma manifestação de preocupação foi publicada e uma investigação completa foi conduzida, de acordo com nossas políticas e diretrizes. A investigação expôs múltiplas preocupações com a metodologia do estudo. Em particular, uma análise independente descobriu que o processo de alocação para tratamento e controle não foi suficientemente aleatório”, disseram.

A publicação no Frontiers era um argumento de defesa dos autores do estudo, conduzido na rede de hospitais particulares Samel, em Manaus, após ter sido rejeitado por publicações científicas de prestígio, como The New England Journal of Medicine e The Lancet. A proxalutamida é um bloqueador de andrógenos (hormônios masculinos como testosterona) ainda sob testes e apontado como droga experimental contra câncer de próstata.

Depois de se tornar alvo de investigação pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), o estudo foi bastante contestado pela comunidade científica internacional. Em matéria na revista científica Science, tanto o medicamento, quanto o ensaio realizado na rede hospitalar Samel foram alvos de desconfiança e questionamentos.

Em fevereiro deste ano, o Vocativo revelou com exclusividade que a rede de hospitais Samel, no Amazonas, não serviu apenas como campo de estudo na pesquisa com o medicamento proxalutamida para o tratamento da Covid-19. Documentos obtidos pelo site comprovam que o grupo atuou junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para tentar produzir e utilizar o medicamento em larga escala em todo o país, antes mesmo da publicação do resultado do ensaio clínico ocorrido no estado em janeiro de 2021.

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