Amazonas

Apenas 22% da população de Manaus tem acesso a tratamento de esgoto

Para celebrar o Dia Mundial da Água (22 de março), o Instituto Trata Brasil publicou nesta quarta-feira (23/03/2022) a 14ª edição do Ranking do Saneamento. O documento faz uma análise dos indicadores do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) ao longo de 2020, publicado pelo Ministério do Desenvolvimento Regional. E Manaus, infelizmente, ocupa lugar de destaque negativo.

Segundo o relatório, a ausência de acesso à água tratada atinge quase 35 milhões de pessoas e 100 milhões de brasileiros não têm acesso à coleta de esgoto, refletindo em centenas de pessoas hospitalizadas por doenças de veiculação hídrica. Em Manaus, por exemplo, apenas 22% da população tem acesso a esse benefício, ocupando a posição 96 no ranking de 100 piores cidades nesse quesito.

A capital do Amazonas também se destaca no desperdício de água. A cidade é a antepenúltima no ranking de 100 cidades com maiores perdas de distribuição. Cerca de 65% do que é distribuído se perde no caminho. O relatório mostra ainda que nos últimos 10 anos, em 8 deles Manaus apareceu entre os locais com piores indicadores.

Mas nem todas as notícias são ruins. Das capitais brasileiras, Manaus foi a que mais aumentou seus níveis de abastecimento total de água, apresentando um crescimento de 9,71 pontos percentuais ou
11,06% entre 2016 e 2020.

Situação do país

Os dados do SNIS apontam que o país ainda tem uma dificuldade com o tratamento do esgoto, do qual somente 50% do volume gerado são tratados – isto é, mais de 5,3 mil piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento são despejadas na natureza diariamente. Outro ponto abordado é sobre os investimentos feitos em 2020, que atingiram R$ 13,7 bilhões, valor insuficiente para que seja cumprido as metas do Novo Marco Legal do Saneamento – Lei Federal 14.026/2020.

Ao analisar as 20 melhores cidades contra as 20 piores cidades, o Trata Brasil observou que há diferenças nos indicadores de acesso: enquanto 99,07% da população das 20 melhores tem acesso à redes de água potável, 82,52% da população dos 20 piores municípios têm o serviço. A porcentagem da população com rede de coleta de esgoto é ainda mais discrepante: 95,52% da população nos 20 melhores municípios tem os serviços; e somente 31,78% da população nos 20 piores municípios são abastecidos com a coleta do esgoto.

“Essa edição de 2022 evidenciou uma estagnação dos municípios que sempre estão nas piores posições. O que nos assusta é que estas cidades, mais uma vez, são da região Norte do país, aonde o acesso ao saneamento ainda é mais deficitário do que em outras regiões. Há capitais que estão trabalhando nos últimos anos para saírem dessa posição, mas não é a regra, é a exceção”, alerta Luana Siewert Pretto, Presidente Executiva do Instituto Trata Brasil.

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