Amazonas

Amazonas vai usar todas as doses de vacina de uma vez. Decisão tem um risco

Se o governo federal não cumprir prazo de entrega das novas doses, imunização pode ficar comprometida

A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), em conjunto com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), emitiu, nesta quinta-feira (25/03), nota autorizando o uso de todas as doses da 9ª remessa de vacinas contra a Covid-19 para o estado. No entanto, caso o governo federal não consiga entregar as doses de reforço no prazo, os pacientes que receberem esses imunizantes não ficarão protegidos.

O Ministério da Saúde recomendou na última segunda-feira (22/03) que estados e municípios utilizassem todas as vacinas em estoque para ampliar a quantidade de imunizados. Com a rede pública de saúde do Amazonas ainda com forte pressão (atualmente, a taxa de ocupação de leitos de terapia intensiva é de 74%) e o resto do país em total colapso, poderia ser uma boa ideia. Desde que o governo cumpra os prazos de entrega das novas doses, o que pode ser um problema.

Em fevereiro, o Instituto Butantan, que produz a CoronaVac, teve apenas de entregar apenas 30% das doses previstas por culpa do desgaste diplomático causado pelo governo brasileiro em relação à China, o que atrasou o envio da matéria-prima para a fabricação do composto. O Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo e o filho do presidente Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, são alvo de descontentamento do governo de Pequim após uma série de provocações pelas redes sociais.

Um novo atraso nesse cronograma poderia prejudicar a entrega das doses e a imunização dos pacientes. Nesse caso, haverá um prejuízo extra: a necessidade de novas primeiras doses para esse grupo de pessoas.

“Se houver certeza absoluta que daqui 30 dias, você terá o número equivalente para as segundas doses, é uma medida válida. Se você tem mil doses e tem certeza de que em um mês terá as outras mil, pode aplicar. Se não tiver, melhor guardar e garantir para quem já tem. Do contrário, você terá mil pessoas meio vacinadas, o que não adianta nada”, explica o virologista Eduardo Flores, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

É importante lembrar que esse prazo vale para a CoronaVac, vacina produzida pelo Instituto Butantan, de São Paulo, cujo intervalo para aplicação das duas doses é entre 21 e 28 dias. No caso da Covishield, produzida pela AstraZeneca e distribuída pela Fiocruz, o intervalo é maior, de 3 meses.

Mais orientações

Conforme a nota técnica, a 9ª remessa de doses corresponde a 41.800 doses de CoronaVac. Os imunizantes devem ser usados em totalidade como primeira dose (das duas doses que compõem o esquema vacinal contra da Covid-19). A distribuição inclui, para os municípios, 39.590 doses da vacina CoronaVac para continuidade da vacinação, de forma que atenda 100% dos grupos prioritários de pessoas de 60 anos ou mais e, ainda, dos trabalhadores da saúde que eventualmente não foram vacinados. As demais 2.210 doses serão mantidas no estoque estratégico da FVS-AM.

A nota orienta, ainda, que a capital do estado, Manaus, iniciará a fase 3 da vacinação, que corresponde ao grupo prioritário de pessoas de 55 a 59 anos com comorbidades. “A partir dessa 9ª remessa, estão sendo incluídas comorbidades como prioritárias para vacinação contra covid-19, como diabetes miellitus, obesidade mórbida, doenças cardiovasculares, além dos Quilombolas”, afirmou o diretor-presidente da FVS-AM, Cristiano Fernandes. O detalhamento de todas as doenças incluídas nas comorbidades, dessa remessa, estão na nota técnica disponível em https://bit.ly/31jD7xG

O documento aponta, ainda, que o Amazonas recebeu 180.000 do imunizante AstraZeneca, das quais serão distribuídas 179.335 doses aos 62 municípios do Amazonas para início da fase 4 da campanha de vacinação, destinadas a alcançar 46% do grupo “Povos e comunidades tradicionais ribeirinhas”. Com essa remessa, será atendida, também, 100% da população entre 18 a 59 anos de comunidades quilombolas. As demais 665 doses serão mantidas como estoque estratégico da FVS-AM.

Foto: Arthur Castro / Secom

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