Amazonas

Amazonas precisa qualificar 114 mil trabalhadores em ocupações industriais até 2025

O estado do Amazonas precisa qualificar 114 mil trabalhadores em ocupações industriais até 2025. A informação consta no Mapa do Trabalho Industrial 2022-2025, compilado pelo Observatório Nacional da Indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Do total, 19,3 mil deverão se capacitar em formação inicial – para repor os inativos e preencher novas vagas – e mais de 94 mil já possuem uma formação ou estão inseridos no mercado de trabalho, mas precisam se aperfeiçoar.

O gerente executivo do Observatório Nacional da Indústria, Márcio Guerra, afirma que a qualificação profissional é crucial tanto para os trabalhadores que já estão empregados quanto para aqueles que estão fora do mercado de trabalho. “O aperfeiçoamento deve ser uma estratégia para todos os profissionais. O aprendizado ao longo da vida passa a ter um papel fundamental no mercado de trabalho nos dias de hoje”. No Amazonas, a demanda pelo nível de capacitação até 2025 será de:

Qualificação (menos de 200 horas): 42.924 profissionais
Qualificação (mais de 200 horas): 34.492 profissionais
Técnico: 27.850 profissionais
Superior: 8.785 profissionais

Em volume, ainda prevalecem as ocupações com nível de qualificação, cerca de 68% do total. Mas, segundo Márcio Guerra, houve um crescimento da demanda por formação em nível superior. “O nível superior cresce sem dúvida a uma taxa muito elevada. Então, é preciso entender que fazer educação profissional não é o fim de uma trajetória. Profissionais que fazem qualificação profissional, fazem curso técnico e depois caminham para o ensino superior são profissionais extremamente valorizados no mercado de trabalho, pela experiência, pela prática e também pela formação”, avalia.

Áreas de formação

No Amazonas, as áreas que mais vão demandar profissionais capacitados, tanto em formação inicial, quanto continuada, são:

Transversal: 21.838 profissionais
Eletroeletrônica: 18.905 profissionais
Metalmecânica: 17.420 profissionais
Logística e Transporte: 15.617 profissionais
Construção: 10.085 profissionais
Automotiva:     5.635 profissionais
Alimentos e Bebidas: 5.177 profissionais
Química e Materiais: 3.619 profissionais
Tecnologia da Informação: 3.517 profissionais
Energia, Água e Esgoto: 2.052 profissionais

O gerente executivo do Observatório Nacional da Indústria, Márcio Guerra, destaca a relevância das ocupações nas áreas transversais. “Ou seja, aquelas ocupações coringas, aquelas profissões que são absorvidas por diversos setores da economia, que vão desde o setor automotivo até o setor de alimentos. No que diz respeito às áreas, vale destacar também aquelas profissões que estão relacionadas com a indústria 4.0, relacionada a automação de processos industriais.”

Ele também explica que há diferenças nas áreas de formação mais demandadas entre os estados. Isso se deve à dimensão do país e à complexidade da economia brasileira. Segundo Márcio Guerra, a heterogeneidade de recursos e de produção acaba refletindo essas características.

“Nós sabemos que, em alguns estados, há uma concentração industrial maior e em outras regiões, como a região Norte, há uma dispersão maior. Então a estrutura industrial, ou seja, os setores que são predominantes em determinadas regiões são diferentes.”

Mapa do Trabalho Industrial

De acordo com o Mapa do Trabalho Industrial 2022-2025, o Brasil precisa qualificar 9,6 milhões de trabalhadores em ocupações industriais nos próximos três anos. Márcio Guerra explica que a projeção considera o contexto econômico, político e tecnológico do país.

“A partir da inteligência de dados, o objetivo do mapa é projetar a demanda por formação profissional de forma que essa informação sirva, não só para o Senai, mas também para uma discussão mais ampla sobre qual vai ser a demanda futura de profissionais no mercado de trabalho. É muito importante para a sociedade conhecer quais são as tendências, quais são as áreas que tendem ao maior crescimento, sobretudo na sua localidade, mas também entender quais profissões têm mais relevância, mais demanda, para que ele possa planejar a sua trajetória de formação profissional”, explica.

O deputado federal Marcelo Ramos (PSD-AM) defende que é preciso fortalecer a educação profissional, por meio do novo ensino médio e do Sistema S, para qualificar, especialmente, a parcela mais jovem da população brasileira, que ainda não entrou em uma universidade.

“O novo ensino médio vai melhorar esse quadro, porque ele já muda um pouco as características do sistema educacional brasileiro. Mas nós precisamos, por outro lado, reconhecer que ninguém no Brasil presta um serviço tão relevante à educação profissional como o Sistema S. E trazer o Sistema S para dentro desse esforço de maior educação profissional é algo fundamental e absolutamente urgente. Além disso, [é preciso] investimentos, não só investimento nas iniciativas públicas, mas investimentos nas parcerias com o Sistema S, que é quem tem a maior expertise em educação profissional no Brasil.”

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