Amazônia

Abandonados na floresta

A história dos irmãos Gleiçon e Glauco Carvalho Ferreira, de 9 e 7 anos, respectivamente ganhou as manchetes do país nesta quinta-feira (17/03/2022). Ambos foram encontrados após passarem 27 dias perdidos na floresta no município de Manicoré (a 332 quilômetros da capital).

Por conta da desnutrição, ambos estão em estado grave, mas estáveis. No entanto, um dado que chamou pouca atenção. Eles só foram encontrados por acaso esta semana por um homem que que estava cortando madeira na mata quando avistou a dupla.

Isso porque tanto o Corpo de Bombeiros quanto a Prefeitura de Manicoré encerraram oficialmente as buscas pelos irmãos no dia 25 de fevereiro. No entanto, moradores da região e familiares dos irmãos continuaram a busca, inclusive montando grupos percorrendo mata fechada.

Questionada pelo Vocativo, a corporação tentou se justificar. “Essa decisão foi tomada em conjunto com lideranças indígenas, Funai, PM e BM porque a princípio havia indícios de crimes, o que não foi comprovado. Reiteramos que o Corpo de Bombeiros se colocou à disposição para novo acionamento”, afirmou em nota enviada ao site. A prefeitura não retornou o contato.

Vale lembrar que as buscas de vítimas desaparecidas é procedimento padrão nesses casos. Em tragédias como Brumadinho e Petrópolis, membros do Corpo de Bombeiros e das respectivas prefeituras permanecem até hoje em busca de vítimas.

Em estado grave, mas estáveis

Os irmãos chegaram à unidade hospitalar de Manicoré, na noite de terça-feira (15/03), apresentando quadro grave de desnutrição grave, desidratação e escoriações na pele, porém estáveis, segundo a secretaria municipal de Saúde. Eles foram removidos, por meio de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) aérea, para recuperação e continuidade do tratamento em Manaus. Antes de saírem do hospital e do embarque, os pacientes foram avaliados por uma equipe médica, que atestou total condição clínica para a realização da viagem.

“Esse tempo tão longo sem se alimentar pode gerar problemas intestinais, dificuldades de absorção de alimentos, e tudo isso precisa de uma assistência especializada. Esse hospital é especializado com médicos de excelência. Pediatras intensivistas, nutricionistas, gastroenterologista. Temos apoio psicológico, e essas crianças vão estar superbem assistidas”, afirmou Anoar Samad, secretário de Estado de Saúde.

Segundo o médico pediatra que atendeu os irmãos, Eugênio Tavares, ambos estão clinicamente estáveis e receberão os cuidados para o quadro de desnutrição e das escoriações. “Eles estão graves, mas estáveis dentro da patologia que têm, desnutrição e algumas infecções de pele, no ouvido e nas costas. A frequência respiratória está normal, não têm tosse e estão urinando bem. A preocupação era o rim, mas já voltou a funcionar muito bem. O cuidado é tratar as infecções que ainda existem e a alimentação cuidadosa, para saber se vão tolerar a dieta progressiva e ganhar peso”, explicou.

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