Eleições 2022

Eleições 2022: Depois das fake news, temos os candidatos fake

O eleitor brasileiro assistiu nesta quinta-feira (29/09/2022) a um dos debates mais constragedores já vistos na história da democracia brasileira. Não pelos momentos de bate-boca (isso é compreensível em qualquer confronto de ideias), mas por todos – incluindo a Rede Globo – temos sido feitos de idiotas por alguns dos participantes. Por esses e outros motivos a legislação eleitoral brasileira precisa evoluir.

Em toda eleição, os candidatos mal intecionados se aproveitam de brechas na lei ou mesmo do surgimento de novas tecnologias para obter ganhos pessoais fraudando o processo. Foi assim em 2018, quando as redes sociais viraram um mar de desinformação, por exemplo.

O pleito de 2022 foi marcado pelas chamadas “candidaturas laranja”. Os exemplos são inúmeros pelo Brasil. A situação é basicamente a seguinte: Um candidato falso (C) usa seu espaço para atacar especificamente um adversário (A) e sutilmente enaltecer o outro (B).

Ficou evidente que, neste debate, o candidato Padre Kelmon (PTB) funcionou como laranja do atual presidente Jair Bolsonaro (PL) para atacar seu principal oponente, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT). PTB, vale lembrar, é de um dos maiores apoiadores de Bolsonaro, o ex-deputado Roberto Jefferson, preso por ameaçar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Que fique bem claro: articular alianças e apoios é parte do jogo democrático, desde que isso seja feito às claras, de forma transparente. Induzir o eleitor a testemunhar uma armação é crime e como tal precisa ser tratado. Ser padre ou personagem não faz a menor diferença.

Ah, sim, o debate…

Por acaso, aconteceu um debate nesse intervalo de tempo. E enquanto as perguntas não foram concentradas em Jair Bolsonaro e Kelmon, ele fluiu muito bem. Tirando Soraya Thronicke (União Brasil) e Felipe D’ávila (Novo), que basicamente defendiam uma nota só (imposto único e privatizações, respectivamente), os outros demonstraram seus pontos de vista de maneira bem objetiva.

Pareciam debates dentro de debates. Simone Tebet (MDB), Ciro Gomes (PDT) e Lula, ao se enfrentarem, foram os únicos a mostrarem perspectivas reais, ainda que antagônicas. Isso leva mais uma vez a uma reflexão sobre a quantidade de partidos e candidatos que devem fazer parte do cenário político nacional. Passada a eleição e a turbulência política, é urgente uma ampla reforma eleitoral.

A eleição precisa ser um embate, mas um embate real. O problema não está em bater boca – que não é desejável, claro – mas em falar ao vento, gastar tempo enrolando o telespectador falando por não ter nada a dizer, como diria a música da Legião Urbana. Não podemos mais admitir os candidatos fake.

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