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Amazonas registra 219 queimadas em 48 horas e Manaus lidera poluição entre as capitais

Nos primeiros 15 dias de outubro, foram identificados 1.827 focos de calor no Amazonas. O número supera em 27,5% a média histórica de todo o mês, de 1.433 focos, calculada entre 1998 e 2025, e excede em 109% o total registrado durante outubro de 2025

MANAUS (AM) – O Amazonas registrou 219 focos ativos de queimadas entre 14 e 15 de outubro de 2026 e ocupou a quarta posição no ranking nacional do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Na manhã desta sexta-feira, 16, o índice de qualidade do ar em Manaus chegou a 168 pontos, nível considerado insalubre, segundo a plataforma IQAir. A concentração de partículas microscópicas de poluição no ar atingiu um valor 16 vezes superior ao recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a média anual, indicando uma atmosfera prejudicial à saúde.

Os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que o Amazonas acumulou 8.084 focos de calor entre 1º de janeiro e 15 de outubro, um aumento de 120% em relação aos 3.674 registrados no mesmo período de 2025. Já o monitoramento estadual da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas contabilizou 7.896 focos até 14 de outubro, alta de 115,33% na comparação com o ano anterior.

O Amazonas registrou 219 focos de calor em 48 horas, enquanto Manaus apresentava qualidade do ar em nível insalubre (Reprodução / Ipaam)

A fumaça das queimadas no Amazonas e em outras áreas da Amazônia Ocidental coincide com a piora da qualidade do ar na capital. Na manhã desta sexta-feira, 16 de outubro, o cenário era agravado pelo calor, pela baixa umidade do ar e pelos ventos fracos, condições que dificultam a dispersão da fumaça.

Outubro já supera a média histórica do mês

No período de 48 horas analisado pelo INPE, o Pará liderou o ranking nacional, com 1.288 focos de calor, seguido pela Bahia, com 238, e pelo Maranhão, com 232. O Amazonas apareceu em quarto lugar, com 219, à frente de Tocantins, com 201, e Amapá, com 171. Em todo o País, foram registrados 2.746 focos no intervalo, dos quais 7,97% estavam no Amazonas.

Na divisão por biomas, a Amazônia concentrou 1.903 focos de calor nas mesmas 48 horas, o equivalente a 69,3% do total nacional. O Cerrado registrou 568 ocorrências, a Caatinga teve 178 e a Mata Atlântica, 97. Não houve registros ativos no Pampa e no Pantanal durante o período analisado.

A situação também aparece nos dados acumulados de outubro. Nos primeiros 15 dias do mês, o Amazonas registrou 1.827 focos de calor, volume 27,5% superior à média histórica de outubro inteiro, de 1.433 focos, calculada para o período de 1998 a 2025. O número também supera em 109% os 874 focos registrados durante todo o mês de outubro de 2025.

Nos primeiros 15 dias de outubro, o Amazonas registrou 1.827 focos de calor, acima da média histórica para o mês inteiro (Reprodução / Inpe)

O levantamento do órgão ambiental estadual indica concentração das ocorrências em duas áreas: o Sul do Amazonas, com 3.765 focos, e a Região Metropolitana de Manaus, com 2.024. Juntas, as duas regiões somaram 5.789 registros, correspondentes a 73,3% dos 7.896 focos contabilizados até 14 de outubro.

O mapeamento das áreas atingidas aponta que 78% dos focos ocorreram em assentamentos rurais e terras públicas ainda sem destinação definida. Os assentamentos concentraram 28% das ocorrências, enquanto as terras públicas federais responderam por 26% e as estaduais, por 24%. As Terras Indígenas representaram 11%, e as áreas protegidas estaduais e federais, 4% cada.

Entre as áreas específicas, o Projeto de Assentamento Rio Juma registrou 547 focos de calor em 2026, liderando o levantamento estadual por área. No ranking municipal, Apuí aparece em primeiro lugar, com 983 focos, seguido por Novo Aripuanã, com 860, e Lábrea, com 747. Autazes contabilizou 532 ocorrências, Boca do Acre, 415, Manicoré, 368, Maués, 339, Manacapuru, 326, Itacoatiara, 285, e Humaitá, 252.

Manaus tem poluição do ar em nível insalubre

Às 8h desta sexta-feira, 16 de outubro, Manaus registrou uma concentração de partículas microscópicas de poluição 16 vezes superior ao valor anual recomendado pela Organização Mundial da Saúde. Essas partículas, conhecidas como material particulado fino, podem penetrar profundamente nos pulmões e alcançar a corrente sanguínea, aumentando os riscos à saúde.

No ranking nacional da IQAir, Manaus ocupava a primeira posição entre as capitais monitoradas, com qualidade do ar classificada como insalubre. Porto Velho (RO) aparecia em segundo lugar, com índice de 88 pontos, e Rio Branco (AC), em terceiro, com 51 pontos.

As medições em diferentes pontos da capital também indicavam condições insalubres. No Centro, o índice chegou a 188 pontos; no Parque Dez de Novembro, a 183; e na estação da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), a 162. Na escala utilizada pela plataforma, valores entre 151 e 200 indicam um nível de poluição que pode afetar a saúde da população.

Manaus apresenta qualidade do ar em nível insalubre (Reprodução)

Na manhã de sexta-feira, a temperatura em Manaus era de 31°C, com ventos de 10 km/h e umidade relativa do ar de 49%. A previsão indicava que os termômetros poderiam marcar entre 38°C e 39°C das 14h às 16h, enquanto a umidade cairia para 26%.

O calor, o ar seco e os ventos fracos podem dificultar a dispersão dos poluentes e favorecer a permanência da fumaça próxima à superfície. A piora da qualidade do ar foi registrada enquanto o Amazonas acumulava milhares de focos de calor em diferentes regiões do Estado.


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