Manaus, 23 de setembro de 2026 – A concentração de partículas finas no ar de Manaus aumentou 964% entre 20 de agosto e 23 de setembro de 2026, segundo a série de medições analisada pela plataforma IQAir. O salto levou a cidade, nessa quarta-feira (23/09/2026), ao pior nível de qualidade do ar registrado no período analisado, em meio ao avanço das queimadas no Amazonas. Às 8h, Manaus registrava 124,5 microgramas de partículas finas por metro cúbico de ar, índice 24,9 vezes o valor anual recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O levantamento foi feito a partir do relato de diversos incêndios na Região Metropolitana de Manaus na noite dessa terça-feira, (22/09/2026).
As chamadas PM2.5 são partículas muito pequenas presentes na fumaça das queimadas e em outras fontes de poluição. Por terem dimensões reduzidas, conseguem chegar às regiões mais profundas do sistema respiratório. Na manhã desta quarta-feira, o índice geral de qualidade do ar chegou a 199 pontos, classificado como insalubre, enquanto o indicador consolidado da cidade alcançou 261 pontos, na faixa considerada muito insalubre.

Aumento de 11,7 para 124,5 microgramas
A dimensão da mudança aparece na comparação com as medições anteriores. Em 20 de agosto, a concentração de PM2.5 registrada em Manaus era de 11,7 microgramas por metro cúbico, quando o índice geral de qualidade do ar estava em 56 pontos. Em 9 de setembro, a concentração havia subido para 37,5 microgramas, com índice de 106 pontos.
Em 17 de setembro, a medição chegou a 80,7 microgramas por metro cúbico, acompanhada de índice de qualidade do ar de 169 pontos. Seis dias depois, nesta quarta-feira, o valor atingiu 124,5 microgramas, o que representa uma alta de 964,1% em relação à medição de 20 de agosto, arredondada para 964%.
A concentração registrada nesta quarta-feira também ficou muito acima do valor anual recomendado pela OMS. O número de 124,5 microgramas corresponde a 24,9 vezes o parâmetro anual da organização, embora a medição de Manaus represente uma fotografia da qualidade do ar naquele momento, e não uma média de um ano.
No ranking nacional da IQAir, Manaus aparecia em primeiro lugar às 8h, com índice consolidado de 261 pontos. Rio Branco, no Acre, registrava 55 pontos, enquanto Brasília aparecia com 53. Nas estações locais da própria plataforma, o Centro de Manaus chegou a 269 pontos e o Parque Dez a 261, ambos na faixa classificada como muito insalubre.

Queimadas avançam no Amazonas
O agravamento da qualidade do ar ocorre ao mesmo tempo em que o número de focos de queimadas aumenta no Estado. Entre 1º e 22 de setembro, o Amazonas registrou 3.240 focos, número superior à média histórica de 3.211 ocorrências para todo o mês e 243,9% acima dos 942 focos registrados em setembro de 2025.
Desde o início do ano até 22 de setembro, foram identificados 5.771 focos de queimadas no Amazonas, colocando o Estado na sexta posição entre os Estados brasileiros com maior número de ocorrências no período. Em todo o País, o levantamento contabilizou 64.419 focos desde janeiro.
Somente entre 21 e 22 de setembro, quatro municípios do Amazonas apareceram entre os dez do País com maior número de focos detectados. Novo Aripuanã registrou 131 ocorrências, o maior número nacional no intervalo, seguido por Manicoré, com 67; Apuí, com 60; e Autazes, com 59.
A própria IQAir mantinha, na manhã desta quarta-feira, um alerta de incêndio ativo em Careiro, município da Região Metropolitana de Manaus. Os dados colocavam a capital em um cenário de forte concentração de fumaça justamente durante a intensificação das queimadas no interior do Estado. Pra se ter ideia, na região do Parque das Tribos, zona Oeste de Manaus, chegou a 300 no IQAir durante a madrugada.

Fumaça chega a diferentes regiões da capital
As medições feitas por sensores espalhados pela Região Metropolitana mostram que a concentração de partículas não era uniforme em Manaus. Às 8h25, a rede PurpleAir registrava índice de 259 pontos em Careiro da Várzea, 249 no Centro, 206 no Crespo e 201 na Compensa. Tatuamã marcava 184 pontos e Chapada, 155.
Na rede SELVA, que também reúne sensores instalados em diferentes áreas da capital, Careiro da Várzea registrava 184,5 microgramas de PM2.5 por metro cúbico, enquanto Morro da Liberdade/Educandos chegava a 168,4 e Presidente Vargas a 165,9. Vila Buriti/Distrito Industrial apresentava 123,4, Compensa 120,2 e Praça 14 de Janeiro, 115,1.
Outros pontos apresentavam concentrações menores, mas ainda diferentes entre si. No Aeroporto/Redenção, eram 83,5 microgramas por metro cúbico; no Aleixo, 70,3; no Parque Dez, 63,2; no Coroado, 53,5; no Dom Pedro, 50,2. Em Aparecida, a medição era de 22,6.
O cenário também era influenciado pelas condições meteorológicas registradas para a capital. A previsão apontava temperatura máxima de 39°C, sensação térmica entre 38°C e 39°C, ventos fracos e pouca chuva ao longo do dia. Para quinta-feira, 24, a temperatura máxima projetada chegava a 40°C, com precipitação estimada entre 0,2 e 2,4 milímetros.
O boletim nº 3 do Painel do El Niño, divulgado em agosto de 2026, havia apontado que julho e agosto terminaram abaixo da média de queimadas em razão do atraso na consolidação da estação seca. Para setembro, porém, a projeção indicava rápida intensificação das ocorrências, em um cenário associado à presença de um El Niño muito forte.
Diante dos níveis registrados, os sistemas de monitoramento recomendavam evitar exercícios ao ar livre, manter portas e janelas fechadas, utilizar proteção respiratória em ambientes externos e recorrer a purificadores de ar em ambientes internos. Na manhã desta quarta-feira, Manaus permanecia no topo do ranking nacional da IQAir, enquanto a concentração de partículas finas alcançava o maior nível da série de datas analisada em 2026.

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