Manaus, 07 de abril de 2026 – A Fundação Amazonprev já contabiliza oficialmente um prejuízo de quase R$ 60 milhões relacionado a investimentos realizados no Banco Master S.A., instituição que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. O dado consta nas Demonstrações Contábeis de 2025, publicadas no Diário Oficial do Estado do Amazonas (nº 35.675), e revela que o valor foi registrado como perda estimada integral no balanço da previdência estadual.
Segundo as Notas Explicativas, a fundação mantém um valor principal de R$ 50 milhões aplicado em Letras Financeiras do Banco Master, mas reconheceu contabilmente um ajuste que eleva o impacto para R$ 59.834.259,56, considerando atualizações. O registro indica que há incerteza real sobre a recuperação desses recursos, em meio ao processo de liquidação da instituição financeira.
O reconhecimento da perda ocorre no mesmo contexto em que a Polícia Federal investiga aplicações da Amazonprev na Operação Sine Consensu, que apura possíveis irregularidades na destinação de recursos previdenciários. A investigação inclui justamente aportes em instituições privadas realizados em 2024, período em que o investimento no Banco Master foi efetivado.
Perda total já foi reconhecida no balanço
A análise do documento mostra que a Amazonprev adotou o chamado princípio da prudência, registrando a perda estimada correspondente a 100% do valor atualizado do investimento. Na prática, isso significa que o órgão já considera, do ponto de vista contábil, que o montante aplicado pode não retornar aos cofres da previdência.
O impacto foi classificado como uma Variação Patrimonial Diminutiva (VPD), dentro do grupo de desvalorização e perdas de ativos, reduzindo o resultado patrimonial do exercício de 2025. Em termos proporcionais, o valor representa cerca de -1,25% das aplicações financeiras de longo prazo da fundação.
A decisão de reconhecer integralmente a perda acompanha a situação do banco, que teve suas atividades encerradas pelo Banco Central após problemas financeiros e operacionais após os desdobramentos da Operação Compliance Zero. A liquidação extrajudicial é considerada uma medida extrema, adotada quando há comprometimento da solvência da instituição.
Desdobramentos atingem esfera judicial
O impacto financeiro identificado no balanço também já gerou reflexos no campo judicial. Em 2026, a Justiça determinou a retenção de valores oriundos de operações de consignação em folha de pagamento relacionadas ao Banco Master.
De acordo com o processo nº 0027354-14.2026.8.04.1000, os valores retidos devem ser direcionados para uma conta judicial, com o objetivo de resguardar os interesses de credores e viabilizar eventual recuperação de recursos no processo de liquidação.
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