Engrenagens

Aplicações de R$ 300 milhões da Amazonprev no Banco Master e C6 Bank são alvo de investigação

A representação foi apresentada pelo Ministério Público de Contas (MPC), que aponta possíveis “vícios de aplicação” na destinação de recursos previdenciários

Manaus, 11 de fevereiro de 2026 – O Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) admitiu um processo para apurar a aplicação de R$ 300 milhões da Fundação Amazonprev em duas instituições financeiras privadas: o Banco Master e o C6 Bank. O despacho de admissibilidade consta no Diário Oficial Eletrônico do TCE desta quarta-feira (11/02/2026).

A representação foi apresentada pelo Ministério Público de Contas (MPC), que aponta possíveis “vícios de aplicação” na destinação de recursos previdenciários. Os valores sob análise incluem R$ 250 milhões aplicados no C6 Bank e R$ 50 milhões no Banco Master. O TCE quer verificar se a escolha dessas instituições respeitou critérios técnicos de segurança e liquidez, essenciais para preservar o patrimônio dos servidores públicos.

O polêmico Banco Master

O Banco Master, instituição financeira brasileira autorizada pelo Banco Central, teve sua liquidação extrajudicial decretada em 18 de novembro de 2025. A decisão ocorreu depois que a Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, identificou um conjunto de irregularidades graves na instituição, incluindo a investigação de emissão de títulos de crédito sem lastro e outros indícios de fraudes contábeis e operacionais.

Segundo o próprio Banco Central, a liquidação foi motivada por uma grave crise de liquidez e o comprometimento significativo da situação econômico-financeira do banco, bem como por violações às normas que regem a atividade bancária no Brasil. Na época, a autoridade monetária informou que a situação do conglomerado financeiro demandava a intervenção imediata para resguardar o funcionamento do sistema financeiro nacional.

Investigações conduzidas pela Polícia Federal mostraram que o banco estava envolvido em um suposto esquema de emissão e venda de títulos de crédito sem lastro e manipulação contábil para mascarar a real situação econômica da instituição, o que levou à detenção de executivos e ao afastamento de dirigentes.

O proprietário do banco, Daniel Vorcaro, foi preso no âmbito da Operação Compliance Zero na véspera da liquidação, em 17 de novembro de 2025, enquanto tentava embarcar para o exterior, em meio às investigações.  A liquidação extrajudicial do Banco Master também se estendeu a outras empresas do mesmo grupo financeiro, como o Banco Master de Investimento e a Master S.A. Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.

Banco Master dentro da investigação do TCE-AM

É exatamente nesse contexto que o TCE-AM passou a analisar a aplicação de R$ 50 milhões da Amazonprev no Banco Master, questionando se tal alocação ocorreu em um momento de fragilidade financeira e reputacional para a instituição, e se os recursos previdenciários foram expostos a riscos que contrariam os princípios de segurança e governança requeridos por fundos de pensão públicos.

O TCE também examina a aplicação de R$ 250 milhões no C6 Bank. Oficialmente, o C6 Bank não tem relação societária com o Banco Master. A instrução do processo no TCE-AM se dá após a conselheira-presidente Yara Lins considerar que havia indícios suficientes para que a denúncia fosse formalizada como processo, obrigando os gestores responsáveis a apresentar justificativas técnicas para as escolhas dos investimentos.

Conexões com investigação anterior

A nova fase de apuração ocorre depois que, em dezembro de 2025, o Vocativo noticiou que o Ministério Público do Amazonas (MPAM) abriu investigação própria sobre as mesmas aplicações. À época, portarias publicadas no Diário Oficial do MPAM apontaram suspeitas de gestão temerária, falhas de controle interno e possível descumprimento das normas que regem os investimentos previdenciários. O MP solicitou documentos completos que justificaram as operações, incluindo sindicância interna e autorizações formais da época em que os aportes foram feitos.


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