Manaus, 10 de fevereiro de 2026 – Manaus iniciou 2026 como o principal ponto de pressão inflacionária do país no custo dos alimentos básicos. Dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada nesta segunda-feira, 9, mostram que a capital amazonense teve a maior alta mensal entre as 27 capitais pesquisadas, com avanço de 4,44% entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.
O levantamento foi feito pela parceria entre a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). Com o reajuste, o valor da cesta básica em Manaus chegou a R$ 647,97 em janeiro. O índice colocou a cidade em posição de destaque negativo no cenário nacional, superando de forma significativa a segunda maior variação do período, registrada em Palmas, com 3,37%.
Alimentos específicos puxam a alta
A elevação do custo da cesta básica em Manaus foi impulsionada principalmente pelo aumento expressivo no preço do tomate, que registrou alta de 21,88% em apenas um mês. A análise técnica do levantamento aponta que a redução da oferta de frutos de qualidade no mercado nacional pressionou os preços no varejo, com reflexos mais intensos na capital amazonense.
Outros itens essenciais também apresentaram variações positivas no período. A banana subiu 5,64%, o pão francês teve aumento de 3,06%, enquanto a manteiga avançou 2,91%. No caso do pão, o estudo associa o reajuste à elevação dos custos da energia elétrica e da farinha importada.
A carne bovina de primeira teve acréscimo de 2,23%, e a farinha de mandioca apresentou alta mais discreta, de 0,42%. Esses movimentos contribuíram para sustentar a pressão inflacionária sobre o conjunto de alimentos consumidos pelas famílias manauaras.
Dados nacionais expõem defasagem salarial
No cenário nacional, o levantamento aponta que o tempo médio necessário para adquirir a cesta básica nas 27 capitais foi de 93 horas e 47 minutos em janeiro de 2026, abaixo das 98 horas e 41 minutos registradas em dezembro de 2025. Em janeiro de 2025, considerando 17 capitais com série histórica completa, a média era de 103 horas e 40 minutos.
A parcela do salário mínimo líquido comprometida com a compra da cesta também apresentou redução. Em janeiro de 2026, os trabalhadores destinaram, em média, 46,08% da renda, contra 48,49% em dezembro de 2025. No mesmo mês de 2025, o percentual médio era de 50,94%.
Apesar desse movimento, o estudo destaca que o salário mínimo ideal para suprir as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.177,57 em janeiro de 2026. O valor corresponde a 4,43 vezes o salário mínimo vigente, de R$ 1.621,00, evidenciando a distância entre o piso nacional e o parâmetro previsto na Constituição.
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