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Clima hipertropical ameaça a Amazônia com calor e secas extremas

Estudo publicado da Revista Nature alerta que Amazônia pode estar caminhando para um novo e perigoso regime climático, marcado por calor extremo e secas intensas. Esse tipo de clima não possui equivalente no período moderno e só teria ocorrido na Terra há entre 10 e 40 milhões de anos

Manaus, 07 de janeiro de 2026 – A Amazônia pode estar caminhando para um novo e perigoso regime climático, marcado por calor extremo e secas intensas que superam os padrões históricos e colocam em risco o equilíbrio do maior bioma tropical do planeta. Pesquisadores identificaram sinais de que a floresta pode ingressar em um chamado clima hipertropical, um estado climático mais quente e seco do que qualquer outro já registrado atualmente nos trópicos.

O alerta consta no estudo “Hot droughts in the Amazon provide a window to a future hypertropical climate”, publicado no dia 10 de dezembro na revista científica Nature. A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade da Califórnia, Berkeley, em parceria com outras instituições, e se baseia em mais de 30 anos de dados climáticos e biológicos da Amazônia central.

Segundo os autores, o clima hipertropical é definido como um regime em que as condições ambientais excedem 99% dos climas tropicais históricos, combinando temperaturas excepcionalmente altas com secas prolongadas e severas. Esse tipo de clima não possui equivalente no período moderno e só teria ocorrido na Terra há entre 10 e 40 milhões de anos.

Secas quentes sinalizam a mudança climática

O estudo aponta que a Amazônia já vem registrando um aumento de eventos conhecidos como “secas quentes”, quando a redução das chuvas ocorre simultaneamente a ondas de calor intenso. Esses eventos, hoje episódicos, são descritos como precursores do novo regime climático identificado pelos pesquisadores.

De acordo com as projeções apresentadas, essas condições podem ocorrer em até 150 dias por ano até 2100, inclusive durante meses que atualmente fazem parte da estação chuvosa. A intensificação desse padrão representa um forte estresse para as árvores da floresta, afetando processos fisiológicos essenciais à sua sobrevivência.

Os cientistas explicam que, sob calor extremo e baixa disponibilidade de água no solo, as árvores podem reduzir drasticamente a transpiração e a absorção de dióxido de carbono (CO₂), além de sofrer falhas no sistema de transporte de água, aumentando as taxas de mortalidade.

“As secas quentes atuais são prenúncios desse clima emergente e oferecem uma janela de oportunidade para compreender como as florestas tropicais respondem a condições futuras cada vez mais extremas”, explicaram os autores do estudo.

Os modelos climáticos analisados indicam que, caso as emissões de gases de efeito estufa permaneçam elevadas, grande parte da Amazônia poderá transitar para esse novo regime ao longo do século XXI. O trabalho destaca que essas mudanças têm potencial para alterar a estrutura da floresta, a composição das espécies e a capacidade do bioma de atuar como regulador do clima global.


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