A Câmara Municipal de Manaus (CMM) rejeitou nesta quarta-feira (05/11/2025) o pedido de abertura de processo de cassação do mandato do vereador Rosinaldo Bual (Agir), preso desde o início de outubro pela operação “Face Oculta”, que investiga um suposto esquema de rachadinha em seu gabinete. O requerimento, apresentado pelo vereador Rodrigo Guedes (PP), foi derrotado por 21 votos contrários, 11 favoráveis e 8 ausências, durante sessão plenária no parlamento municipal.
A proposta de Guedes pedia o início do juízo de admissibilidade para cassação do mandato de Bual, que segue oficialmente afastado das atividades parlamentares. A maioria dos vereadores decidiu rejeitar o pedido com o argumento de que o processo judicial ainda está em andamento e que o parlamentar “não foi condenado ou indiciado formalmente”.
Os vereadores que votaram contra o início do processo de cassação foram Eurico Tavares (PSD), Roberto Sabino (Republicanos), João Paulo Janjão (Agir), Elan Alencar (DC), Raulzinho (MDB), Eduardo Alfaia (Avante), Gilmar Nascimento (Avante), Sérgio Baré (PRD), Rodinei Ramos (Avante), Thaysa Lippy (PRD), Raiff Matos (PL), Everton Assis (União Brasil), Professor Samuel (PSD), Allan Campelo (Podemos), Mitoso (MDB), Marcelo Serafim (PSB), Rosivaldo Cordovil (PSDB), Dione Carvalho (Agir), Marco Castilhos (União Brasil), João Carlos (Republicanos) e Aldenor Lima (União Brasil).
Durante a sessão, Rodrigo Guedes voltou a cobrar a abertura imediata do processo e criticou a decisão da maioria. “A Câmara está passando um recado errado à sociedade. Não podemos fechar os olhos para o que aconteceu”, afirmou o parlamentar, que levou uma pizza ao plenário como forma de protesto, em alusão à expressão “acabar em pizza”.
Rosinaldo Bual foi preso preventivamente no dia 3 de outubro, durante a Operação Face Oculta, deflagrada pela Delegacia Especializada em Combate à Corrupção (Deccor) e pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM). As investigações apontam que o vereador teria exigido parte dos salários de assessores, prática conhecida como rachadinha.
De acordo com as investigações, ele responde pelos crimes de peculato, concussão, associação criminosa, lavagem de dinheiro e posse irregular de arma de fogo de uso permitido. As apurações apontam que o vereador mantinha um esquema em seu gabinete, exigindo parte dos salários de assessores nomeados, além de utilizar laranjas para movimentar valores oriundos do suposto desvio de recursos públicos.
Após a prisão, a Mesa Diretora da CMM decidiu afastá-lo temporariamente, mas não abriu processo disciplinar. Desde então, o caso tem gerado repercussão entre parlamentares e movimentos sociais que cobram mais transparência no Legislativo municipal.
Mesmo com a rejeição do requerimento, o vereador Rodrigo Guedes afirmou que pretende insistir no pedido. “A Câmara não pode ser conivente com suspeitas graves de corrupção. Continuarei cobrando até que a cassação seja devidamente analisada”, declarou.
Bual segue recebendo o subsídio de mandato, estimado em R$ 26.000 mensais, mesmo estando preso. Dados oficiais da Câmara Municipal de Manaus indicam vencimentos mensais brutos que variaram entre aproximadamente R$ 24.754,79 e R$ 26.080,98 antes de descontos.
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