Mesmo com sucessivas quedas no preço da gasolina nas refinarias, os consumidores do Amazonas seguem pagando uma das tarifas mais altas do país para abastecer seus veículos. Um novo levantamento da empresa ValeCard, realizado entre 1º e 13 de maio em mais de 25 mil postos brasileiros, revela que sete das dez cidades com gasolina mais cara do Brasil estão no estado. Urucurituba (R$ 8,20), Apuí (R$ 8,16) e Boca do Acre (R$ 8,08) lideram o ranking nacional.
Os dados escancaram uma contradição já apontada em reportagens anteriores do Vocativo. Em fevereiro de 2025, revelamos que a alta persistente nos preços da gasolina no Amazonas está diretamente relacionada à privatização da Refinaria da Amazônia (Ream) e à alta carga tributária estadual, especialmente do ICMS, que se mantém em 20% sobre o combustível, um dos maiores do país.
Em abril de 2025, apesar de nova redução no preço do litro da gasolina nas refinarias, a bomba nos postos de Manaus e do interior pouco refletiu essa queda. À época, especialistas alertavam que a falta de concorrência, somada ao alto custo logístico e à tributação estadual rígida, criava um cenário de “preço engessado” no estado.
A nova pesquisa da ValeCard apenas confirma essa realidade. No comparativo nacional, a diferença entre o maior e o menor preço do litro da gasolina chega a 64,6%. Enquanto em Urucurituba o litro sai por R$ 8,20, em Parazinho (RN) ele custa R$ 4,98 — uma diferença de R$ 3,22.
Além de Urucurituba, Apuí e Boca do Acre, também figuram entre os municípios amazonenses com os maiores preços Tefé, Novo Airão, Japurá e Anori. Todas essas localidades enfrentam isolamento geográfico, dependência de transporte fluvial e baixa oferta de postos, fatores que encarecem o abastecimento.
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