Engrenagens

Vereador mais votado de Manaus é acusado de homicídio pelo MP-AM

O vereador mais votado de Manaus, o sargento Alexandre Salazar (PL), foi denunciado pelo MPAM por homicídio, ocorrido em junho de 2019. Vereador é alvo de 24 investigações ou ações judiciais, incluindo abuso de autoridade, transgressão disciplinar e outros três homicídios

O vereador mais votado de Manaus, o sargento Alexandre da Silva Salazar (PL), foi denunciado pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM) por homicídio, ocorrido em junho de 2019. Segundo a denúncia, Salazar, que estava de folga, disparou seis vezes contra Felipe Kevin de Oliveira Costa, de 27 anos, após persegui-lo em seu carro. O caso ocorreu depois que o vereador presenciou um roubo a uma mulher em um ponto de ônibus. A informação foi publicada na Folha de São Paulo desta terça-feira (21/05/2025).

De acordo com o MPAM, Salazar perseguiu a moto onde estavam Felipe e um cúmplice, colidiu com o veículo e, ao derrubar os dois ao chão, atirou. Felipe morreu no local, enquanto o outro homem fugiu. O sargento alega que agiu dentro da legalidade, afirmando que um dos suspeitos disparou contra ele durante a perseguição, mas a investigação aponta que não houve troca de tiros. Nenhuma arma foi encontrada na cena, e a mulher assaltada declarou que Felipe não era o autor do roubo.

Imagens do local também levantaram dúvidas sobre a versão de Salazar, indicando que os veículos chegaram ao ponto de colisão de direções diferentes. Questionado sobre os acontecimentos, o vereador afirmou que “a arma estava com o que fugiu”, versão que difere de seu depoimento inicial.

Histórico polêmico

Salazar construiu sua carreira política com forte presença nas redes sociais, publicando vídeos de suas ações como policial. Ele foi eleito em 2024 com 22.594 votos, apoiado por Pablo Marçal (PRTB), ex-candidato à prefeitura de São Paulo. Contudo, sua trajetória como policial é marcada por controvérsias.

Desde 2009, Salazar já foi citado em pelo menos 24 investigações ou ações judiciais, incluindo abuso de autoridade, transgressão disciplinar e outros três homicídios. Do total, 17 casos já foram encerrados, sendo quatro por prescrição, seis com absolvição e sete arquivados por falta de provas. Sete processos permanecem em andamento, embora a defesa do vereador sustente que apenas quatro ainda estejam ativos.

O advogado de Salazar, identificado como Carioca, minimizou as acusações, alegando que “o profissional que trabalha na rua está fadado a ter processos” e ressaltou que o vereador nunca foi condenado. A defesa também destacou a ficha do vereador com 45 elogios de superiores.

Desdobramentos

O inquérito militar que apurou a conduta de Salazar no caso concluiu que ele cometeu abuso de autoridade e transgressão disciplinar ao divulgar imagens de uma detenção. Em resposta, a Polícia Militar informou que os procedimentos administrativos contra o sargento seguem os trâmites previstos e que ele foi transferido para a reserva assim que assumiu o mandato.

Salazar, que nega qualquer irregularidade, afirmou que responderá às acusações por meio de suas redes sociais e prometeu processar veículos de comunicação que divulgarem informações consideradas por ele como falsas.


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