Na manhã desta segunda-feira (09/12/2024), Dia Internacional Contra a Corrupção, a Polícia Federal deflagrou a terceira fase da Operação Expurgare, ampliando investigações de um esquema criminoso que envolve servidores estratégicos do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM). Segundo as investigações, servidores do órgão usavam seus cargos para facilitar práticas ilegais, como emissão de licenças ambientais fraudulentas, suspensão de multas e autorizações irregulares para desmatamento, resultando em um prejuízo estimado de R$ 1 bilhão. Após a operação, o diretor-presidente do IPAAM, Juliano Valente, foi afastado.

A Operação Expurgare é um desdobramento da Operação Greenwashing, que revelou fraudes fundiárias iniciadas em Lábrea/AM e envolveu a apropriação ilegal de cerca de 538 mil hectares de terras públicas. Entre 2016 e 2018, o grupo criminoso expandiu suas ações para reutilização de títulos de propriedade e falsificação de dados no Sistema de Gestão Fundiária (SIGEF). Mais recentemente, nos últimos três anos, os ilícitos se concentraram nas regiões de Apuí e Nova Aripuanã, no Amazonas.
Os alvos desta fase também possuem histórico na Operação Arquimedes (2019), que investigou crimes semelhantes, como a emissão de licenças fraudulentas e a suspensão de multas ambientais. Matérias do Vocativo ao longo dos últimos anos apontaram o IPAAM como epicentro de uma série de irregularidades, como por exemplo atuação suspeita durante a crise ambiental de 2023 e as licenças emitidas para o projeto Potássio Autazes, da empresa Potássio do Brasil, no interior do Estado.
Atuação dentro do IPAAM
De acordo com a PF, servidores com cargos estratégicos no IPAAM eram peças-chave no esquema, utilizando suas posições para facilitar desmatamentos ilegais e autorizações irregulares. A 7ª Vara Federal Criminal de Manaus expediu mandados de busca, apreensão e prisões preventivas, com o objetivo de desarticular completamente a organização criminosa.
Impactos financeiros e ambientais
As investigações indicam que o grupo foi responsável por causar prejuízos financeiros de quase R$ 1 bilhão. Este valor inclui não apenas a apropriação de terras públicas, mas também os danos ambientais gerados pela exploração ilegal de recursos naturais. A PF destacou que operações como a Expurgare são fundamentais para combater a corrupção sistêmica, proteger o patrimônio ambiental e responsabilizar agentes públicos e privados envolvidos em práticas ilícitas.
Descubra mais sobre Vocativo
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

