Engrenagens

Deputados do Amazonas se calam sobre PEC que propõe fim da escala 6×1

Apenas Saullo Vianna (União Brasil) assinou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que propõe o fim da escala de trabalho 6x1. Amom Mandel (Cidadania) se colocou contra, mas se disse "aberto ao diálogo". Demais ainda não se manifestaram

Apenas um dos oito deputados federais do Amazonas assinou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) sobre o fim da escala de trabalho 6×1, apresentada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) a partir de iniciativa do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT). A proposta central é substituir o modelo 6×1, permitindo de dois a três de descanso, oferecendo mais equilíbrio entre vida pessoal e profissional para os trabalhadores brasileiros.

Para ser protocolada, a PEC precisa de no mínimo um terço dos parlamentares. No caso da Câmara, é necessário apoio de ao menos 171 deputados. Dos oito representantes do Amazonas na Câmara, somente Saullo Vianna (União) assinou o projeto. Amom Mandel (Cidadania) foi o único que se posicionou contrário ao projeto, mas se disse aberto ao debate. Já Adail Filho (Republicanos), Átila Lins (PSD), Capitão Alberto Neto (PL), Fausto Jr. (União), Sidney Leite (PSD) e Silas Câmara (Republicanos) até o momento não se posicionaram sobre a proposta.

A escala 6×1, comum em setores como comércio e serviços, exige que os trabalhadores cumpram seis dias consecutivos de trabalho, com direito a apenas um dia de folga. A PEC visa alterar essa estrutura, propondo uma redução de carga horária para 30 horas semanais, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, dando-lhes mais tempo para descanso e outras atividades fora do ambiente de trabalho.

A iniciativa da deputada também inclui uma petição pública, que busca envolver a sociedade em um debate amplo e transparente sobre as condições de trabalho, envolvendo sindicatos, empregadores e especialistas. Este movimento dialoga com outras propostas de redução de jornada, como o projeto do senador Weverton Rocha (PDT-MA), que propõe a possibilidade de jornadas menores mediante acordos coletivos, sem redução de salários.

O movimento Vida Além do Trabalho (VAT) surgiu em 2023 como uma reação ao modelo de trabalho conhecido como escala 6×1, no qual trabalhadores têm apenas um dia de folga por semana. Criado por Rick Azevedo, ex-balconista que denunciou o cansaço e as condições desgastantes dessa jornada nas redes sociais, o movimento cresceu rapidamente, impulsionado por um abaixo-assinado que já conta com centenas de milhares de assinaturas. A proposta central é substituir o modelo 6×1 pela escala 4×3, permitindo quatro dias de trabalho e três de descanso, oferecendo mais equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

O movimento também defende uma reforma trabalhista que garanta condições mais humanas, especialmente devido à alta incidência de burnout no Brasil, onde aproximadamente 30% dos trabalhadores enfrentam sintomas de esgotamento físico e mental severo.


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