Engrenagens

Riqueza dos bilionários cresce em ritmo recorde e amplia riscos à democracia

Relatório da Oxfam alerta que a fortuna coletiva dos bilionários aumentou US$ 2,5 trilhões em apenas um ano, alcançando US$ 18,3 trilhões. Montante equivale quase à riqueza total acumulada pela metade mais pobre da humanidade, formada por cerca de 4,1 bilhões de pessoas

Manaus, 20 de janeiro de 2026 – A riqueza global dos bilionários cresceu em ritmo três vezes mais acelerado em 2025 e atingiu o maior patamar da história, segundo novo relatório da Oxfam, divulgado neste domingo, 19, durante a abertura do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. O documento aponta que o avanço da concentração de renda ocorre paralelamente ao aumento da fome, da pobreza e ao enfraquecimento de direitos políticos e civis em diversos países.

De acordo com o relatório, a fortuna coletiva dos bilionários aumentou US$ 2,5 trilhões em apenas um ano, alcançando US$ 18,3 trilhões. A organização destaca que esse montante equivale quase à riqueza total acumulada pela metade mais pobre da humanidade, formada por cerca de 4,1 bilhões de pessoas.

Desde 2020, segundo a Oxfam, a riqueza dos bilionários cresceu 81%, enquanto uma em cada quatro pessoas no mundo não tem comida suficiente de forma regular. O relatório também aponta que a taxa de redução da pobreza global estagnou e voltou a crescer em regiões como a África.

“O aumento explosivo da riqueza dos bilionários está criando um déficit político perigoso e insustentável”, disse Amitabh Behar, diretor executivo da Oxfam Internacional. “Quando poucos concentram tanto poder econômico, passam também a moldar as regras da política e da sociedade em benefício próprio”, afirmou.

Concentração de poder político e ataque a direitos

O documento alerta que a desigualdade extrema está diretamente associada ao enfraquecimento da democracia e das liberdades civis. A Oxfam estima que bilionários têm 4.000 vezes mais chances de ocupar cargos políticos do que cidadãos comuns, ampliando a influência direta dos super-ricos sobre decisões de Estado.

“Os governos estão fazendo escolhas erradas para agradar à elite econômica, enquanto reprimem direitos e ignoram o fato de que a vida está se tornando insustentável para milhões de pessoas”, disse Behar. “Isso corrói a confiança nas instituições e aumenta o risco de retrocessos democráticos”, comentou.

Segundo o relatório, 2024 marcou o 19º ano consecutivo de declínio das liberdades globais, com restrições à liberdade de expressão em um quarto dos países. No mesmo período, foram registrados 142 protestos significativos contra governos em 68 países, frequentemente reprimidos com violência estatal.

A Oxfam também chama atenção para o controle crescente dos super-ricos sobre empresas de mídia e redes sociais. Bilionários já detêm mais da metade das maiores companhias de comunicação do mundo, além de todas as principais plataformas digitais.

Brasil exemplifica desigualdade extrema

No Brasil, a Oxfam aponta que a concentração de riqueza atingiu níveis críticos. O país concentra o maior número de bilionários da América Latina, com 66 pessoas que acumulam juntas cerca de US$ 253 bilhões, convivendo com um sistema tributário considerado regressivo.

“O Brasil é um exemplo claro de que a desigualdade não é uma fatalidade, mas resultado de escolhas políticas”, afirmou Viviana Santiago, diretora executiva da Oxfam Brasil. “Quando os mais ricos pagam proporcionalmente menos impostos, toda a sociedade perde”, disse.

Segundo ela, apesar de avanços recentes na reforma do Imposto de Renda, o país ainda precisa avançar na taxação de dividendos, grandes fortunas e heranças. “Uma reforma tributária verdadeiramente progressiva é essencial para reduzir desigualdades históricas e fortalecer a democracia”, comentou. O relatório também alerta que cortes recentes em orçamentos de ajuda humanitária podem resultar em mais de 14 milhões de mortes adicionais até 2030, agravando ainda mais o cenário global de pobreza e insegurança alimentar.


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