Humanidades

Super-ricos consomem em 10 dias toda a cota de carbono prevista para 2026

Orçamento anual de carbono corresponde à quantidade de CO₂ que pode ser emitida sem ultrapassar o limite de 1,5°C de aquecimento global. Apenas o 0,1% mais rico da população mundial consumiu essa cota ainda mais rapidamente, encerrando seu limite já em 3 de janeiro

Manaus, 10 de janeiro de 2026 – O 1% mais rico do planeta esgotou sua cota justa de emissões de carbono para todo o ano de 2026 em apenas 10 dias, segundo uma nova análise divulgada pela Oxfam Internacional. O marco simbólico foi alcançado neste sábado, 10, data que a organização batizou de “Dia dos Ricos Poluidores”, evidenciando o peso desproporcional das elites econômicas na intensificação da crise climática global.

De acordo com o levantamento, o orçamento anual de carbono corresponde à quantidade de CO₂ que pode ser emitida sem ultrapassar o limite de 1,5°C de aquecimento global. Apenas o 0,1% mais rico da população mundial consumiu essa cota ainda mais rapidamente, encerrando seu limite já em 3 de janeiro. A Oxfam aponta que esse padrão de consumo evidencia uma desigualdade extrema na responsabilidade pelas emissões globais.

Consumo excessivo e impactos globais

A análise estima que as emissões produzidas pelo 1% mais rico em apenas um ano poderão causar 1,3 milhão de mortes relacionadas ao calor até o final do século. Além das perdas humanas, o consumo excessivo de carbono ao longo de décadas tem provocado danos econômicos significativos a países de baixa e média-baixa renda, com prejuízos que podem chegar a US$ 44 trilhões até 2050.

Segundo a organização, para que o mundo permaneça dentro da meta de 1,5°C, o 1% mais rico precisaria reduzir suas emissões em 97% até 2030. Enquanto isso, comunidades que menos contribuíram para a crise climática — incluindo povos indígenas, mulheres, meninas e populações de países mais vulneráveis — tendem a sofrer os impactos mais severos.

“Repetidamente, a pesquisa mostra que os governos têm um caminho muito claro e simples para reduzir drasticamente as emissões de carbono e combater a desigualdade: mirar nos poluidores mais ricos”, disse Nafkote Dabi. “Ao reprimir a extrema imprudência com o carbono dos super-ricos, os líderes globais têm a oportunidade de recolocar o mundo no caminho das metas climáticas e desbloquear benefícios líquidos para as pessoas e o planeta”, afirmou.

Investimentos poluentes e influência política

Além das emissões associadas aos seus estilos de vida, os super-ricos também exercem influência significativa por meio de seus investimentos financeiros. A pesquisa da Oxfam aponta que cada bilionário possui, em média, uma carteira de investimentos em empresas responsáveis pela emissão de 1,9 milhão de toneladas de CO₂ por ano, o que contribui para manter o mundo preso a um cenário de colapso climático.

O relatório destaca ainda o poder político desproporcional exercido por indivíduos e corporações mais ricos. Um exemplo citado é a recente cúpula climática da COP no Brasil, onde o número de lobistas de empresas de combustíveis fósseis superou o de qualquer delegação nacional, com exceção da do país anfitrião, totalizando 1.600 participantes.

“A imensa riqueza e o poder dos indivíduos e corporações também lhes permitiram exercer uma influência injusta sobre a formulação de políticas e diluir as negociações climáticas”, acrescentou Nafkote Dabi. A Oxfam defende que os governos adotem medidas para reduzir as emissões dos super-ricos e garantir que os poluidores mais ricos arquem com os custos gerados pela crise climática, destacando a necessidade de ações fiscais e regulatórias para enfrentar a desigualdade climática.


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