Manaus, 10 de dezembro de 2025 – O Ministério Público do Amazonas abriu investigação para esclarecer duas aplicações milionárias da Amazonprev, de R$ 50 milhões e R$ 250 milhões, realizadas em 2024. As portarias, publicadas nesta quarta-feira (10/12/2025) no Diário Oficial do MP-AM, apontam suspeitas de gestão temerária, falhas de controle interno e possível descumprimento das normas que regem os investimentos previdenciários.
O documento determina que a Amazonprev entregue todos os registros que justificaram as operações, incluindo a íntegra da sindicância interna nº 2024.A.07767, autorizações formais e documentos administrativos da época. O MP também pede informações sobre ex-dirigentes que atuaram no período dos aportes, entre eles Maria Neblina Marães, Cláudio Marins e Marcelo Soares Cavalcante. A Procuradoria-Geral criou ainda um Grupo de Trabalho para verificar se a autarquia mantém mecanismos de integridade capazes de evitar decisões sem respaldo técnico adequado.
Vale lembrar que, recentemente, foi descoberto depois da Operação Compliance Zero um investimento de R$ 50 milhões da Amazonprev no Banco Master, o que levou a Polícia Federal a investigar a emissão de títulos financeiros pelo banco e resultou na decisão do Banco Central de liquidar a instituição. A revelação do aporte colocou a Amazonprev na lista de credores do Master e expôs o risco de perdas, ampliando as dúvidas sobre como a autorização para a aplicação foi concedida.
Segundo a reportagem do Estado de São Paulo do último dia 02 de dezembro, não há registro formal da decisão nos documentos públicos da autarquia, e a operação teria ocorrido sem deliberação colegiada e sem atas, justamente o tipo de irregularidade que o MPAM agora tenta esclarecer.
Transação sem registros
Segundo a reportagem, a operação teria ocorrido sem deliberação do Conselho de Administração e sem registro em atas, o que contraria a prática comum do fundo. O jornal destacou que o documento técnico sobre o investimento foi assinado pelo então novo presidente, Ary Renato Vasconcelos de Souza, mas descreve que a aplicação teria sido feita em 6 de junho de 2024, quando Maria Neblina Marães ainda era a presidente da autarquia.
O Estadão relatou que “a aplicação se deu após o Comiv receber e-mail da diretoria solicitando cotação e possível aquisição de letras financeiras”, mas observou que não há registro público dessa operação nos sistemas da Amazonprev. A matéria também mencionou documentos em que Ary assinava autorizações de investimento antes de sua nomeação oficial, enquanto Maria Neblina assinava até maio, o que gerou dúvidas sobre a cronologia e a formalização das decisões. Conselheiros afirmaram ao jornal que operações com letras financeiras deveriam constar em atas e que a ausência desses registros causou estranhamento interno na autarquia.
Questionamentos do MPAM coincidem
A determinação do MPAM incorpora parte dessas preocupações ao exigir esclarecimentos detalhados sobre o aporte de R$ 50 milhões, mas amplia significativamente o foco ao incluir também o investimento de R$ 250 milhões, que ainda não foi explicado publicamente. A portaria não identifica para onde esse segundo valor foi aplicado, mas determina que a Amazonprev apresente toda a documentação que sustente essa operação.
Segundo as portarias, o objetivo da investigação é reconstruir como essas decisões foram tomadas, quem participou delas e quais registros formais existem. O MP quer entender o fluxo de autorizações e conferir se houve respaldo técnico, especialmente em um momento em que conselheiros, segundo o Estadão, relatam não ter recebido todos os documentos da própria autarquia sobre a operação de 2024.
Ao exigir a entrega da sindicância interna, autorizações, comunicações e documentos técnicos, o MP-AM busca esclarecer as circunstâncias em que aportes de grande porte foram aprovados, em meio a dúvidas levantadas tanto por conselheiros quanto pela imprensa nacional.
Compliance Zero
A Operação Compliance Zero foi uma ação da Polícia Federal e de outros órgãos de investigação que começou em 18 de novembro de 2025 para apurar suspeitas de fraudes e irregularidades no sistema financeiro brasileiro, com foco principalmente no Banco Master.
A PF identificou indícios de que o banco teria emitido títulos de crédito falsos ou irregulares, apresentado documentos com problemas e praticado possíveis crimes como gestão fraudulenta e temerária e organização criminosa.
A operação resultou na prisão do dono do banco, Daniel Vorcaro, na liquidação do Banco Master pelo Banco Central e em medidas como o bloqueio de bens e de valores bilionários de instituições e executivos envolvidos.
Descubra mais sobre Vocativo
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

