Engrenagens

Manaus desperdiça equivalente a 113 piscinas olímpicas de água por dia

Estudo do Trata Brasil alerta que Manaus desperdiça 47,49% da água distribuída, um volume equivalente a mais de 113 piscinas olímpicas por dia. A redução das perdas poderia abastecer cerca de 720 mil moradores sem ampliar a produção de água.

Manaus, 26 de novembro de 2025 – Levantamento divulgado nesta quarta-feira, 26, pelo Instituto Trata Brasil, elaborado com dados do SINISA 2023, aponta que Manaus apresenta um dos mais altos índices de perdas de água entre as capitais brasileiras. Segundo o relatório, esse desperdício compromete o acesso da população ao abastecimento e pressiona o sistema de saneamento da capital.

Os dados constam no levantamento que analisou as 27 capitais e os 100 maiores municípios do país. A cidade, com população estimada em 2.084.560 habitantes, registrou 47,49% de perdas na distribuição e 704,92 litros perdidos por ligação por dia. Segundo o relatório, esses números colocam Manaus em patamar distante das metas nacionais estabelecidas pela Portaria 490/2021.

No caso de Manaus, o volume diário desperdiçado equivale a 113,28 piscinas olímpicas ou 377.602 caixas d’água de 750 litros, segundo estimativas do Instituto Trata Brasil. O relatório ressalta que, caso a capital conseguisse reduzir as perdas até o limite estabelecido em norma federal, haveria disponibilidade hídrica suficiente para atender 719.781 pessoas apenas com a água hoje desperdiçada.

O documento destaca ainda que a capital amazonense está incluída no grupo de cidades com desempenho considerado crítico em termos de eficiência do sistema. As perdas na distribuição superam com folga a meta de 25%, definida como referência mínima de qualidade operacional, e mantêm Manaus entre os municípios com maior desperdício de água tratada. O estudo aponta ainda que as capitais com índices elevados de perda tendem a enfrentar maiores dificuldades de cobertura de abastecimento, cenário que também se aplica à capital do Amazonas.

O levantamento relembra que a região Norte reúne municípios que concentram alguns dos piores resultados do país, o que, de acordo com o documento, reforça a necessidade de avanços estruturais nos serviços de saneamento. No conjunto das capitais brasileiras avaliadas, Manaus figura entre aquelas com maiores perdas por ligação, indicador que ultrapassa em mais de três vezes o limite considerado adequado pelo marco regulatório do setor.

Ao apresentar os resultados consolidados, o estudo afirma que o volume de água perdido nessas capitais corresponde a 2,71 bilhões de metros cúbicos ao ano, sendo que 60% desse total refere-se a perdas físicas, como vazamentos.


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