Belém, 19 de novembro de 2025 – A Amazonprev, responsável pela previdência dos servidores públicos do Amazonas, corre risco de perda patrimonial após investir cerca de R$ 50 milhões em letras financeiras do Banco Master, títulos que não contam com garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A informação foi publicada nesta quarta-feira (19/11/2025) no jornal Folha de São Paulo.
A liquidação extrajudicial da instituição, decretada pelo Banco Central, deixou em situação de incerteza recursos que compõem o patrimônio previdenciário do estado. A medida foi determinada após os desdobramentos da Operação Compliance Zero, apontando a existência de um esquema bilionário de fraude envolvendo a emissão de títulos de crédito irregulares.
A exposição da Amazonprev integra um conjunto maior de investimentos feitos por 18 fundos de previdência de estados e municípios, que aplicaram aproximadamente R$ 1,86 bilhão em papéis emitidos pelo Master entre 2023 e 2024, segundo dados divulgados pelo Ministério da Previdência. O caso ganhou destaque após a publicação de reportagens que revelaram a extensão desses aportes e os riscos associados às letras financeiras, que, ao contrário de CDBs, não são cobertas pelo FGC.
O caso Amazonprev
No âmbito interno, a Amazonprev já havia conduzido auditorias sobre esse investimento, conforme registrado em documento da ANFIP. A entidade também realizou uma diligência técnica pedindo esclarecimentos formais sobre a estrutura financeira do Master, as condições das letras financeiras e as perspectivas de pagamento em caso de intervenção ou liquidação.
Registros internos da própria Amazonprev mostram que houve questionamentos sobre a governança e a aprovação dos investimentos. Em ata do comitê de investimentos, disponível no site institucional, consta que não havia deliberação formal claramente documentada sobre os riscos de crédito dos títulos. Esse conteúdo aparece na Ata nº 216/2024, na qual membros do colegiado pedem mais informações sobre o processo de análise de risco dos papéis adquiridos.
Com a liquidação extrajudicial do Banco Master, anunciada em novembro de 2025, a situação se tornou mais sensível. O destino dos recursos da Amazonprev agora depende do processo de liquidação, que costuma ser lento, burocrático e sem garantia de recuperação integral para investidores que portam títulos sem cobertura legal.
Operação Compliance Zero
Antes da liquidação, o Banco Master já estava no centro de uma investigação criminal de grande porte. A Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, apontando a existência de um esquema bilionário de fraude envolvendo a emissão de títulos de crédito irregulares.
A ação resultou na prisão de seis pessoas, entre elas o presidente do banco, Daniel Vorcaro, detido quando se preparava para deixar o país. A operação também apreendeu dinheiro em espécie, obras de arte, veículos de luxo e um jatinho, e estimou que o prejuízo causado pelo esquema poderia chegar a R$ 12 bilhões, agravando a crise que já comprometia a situação financeira da instituição.
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