Em plena Conferência do Clima da ONU (COP30), realizada em Belém (PA), o Consórcio Interestadual da Amazônia Legal, que reúne os governadores dos nove estados da região, montou o Hub Amazônia dentro da área oficial de negociações — a chamada Blue Zone. O espaço, dedicado a apresentar a Estratégia Amazônia 2050 e a Plataforma CAL2050, tem entre seus apoiadores três empresas com histórico de acusações e condenações por crimes ambientais: Hydro, Vale e JBS.
A presença das empresas foi destacada em um painel na entrada do espaço oficial do Consórcio Interestadual da Amazônia Legal, instalado na Blue Zone da Conferência do Clima da ONU. O consórcio representa a união dos governadores da região e tem como objetivo, segundo eles, “projetar uma agenda conjunta de sustentabilidade”. Entretanto, a associação com companhias envolvidas em desastres e infrações ambientais gerou críticas entre representantes de organizações socioambientais e observadores presentes em Belém.
Hydro e o caso Barcarena
A Hydro, empresa de origem norueguesa e controladora da refinaria de alumina Alunorte, em Barcarena (PA), foi acusada em 2018 de vazamento de rejeitos tóxicos que atingiram rios e igarapés na região. Laudos do Ibama e do Ministério Público Federal indicaram a existência de sistemas de drenagem irregulares e o lançamento de efluentes contaminados.
O episódio resultou em multas e ações judiciais, além da suspensão temporária de parte das operações da refinaria. A Hydro firmou acordos de compensação e implementou medidas de controle ambiental, mas moradores e organizações locais seguem relatando efeitos da contaminação sobre comunidades ribeirinhas e indígenas.
Vale e as tragédias das barragens
A Vale S.A., uma das maiores mineradoras do mundo, também figura entre as apoiadoras do espaço dos governadores da Amazônia. A empresa é responsável pelos desastres das barragens de Mariana (2015) e Brumadinho (2019), que deixaram centenas de mortos e causaram contaminação em larga escala de rios e áreas florestais.
Além dessas tragédias, a Vale enfrenta investigações e processos administrativos por poluição e contaminação de recursos hídricos em regiões amazônicas, principalmente no estado do Pará, onde mantém grandes projetos de mineração próximos a comunidades tradicionais e terras indígenas. O histórico de violações ambientais da mineradora é considerado um dos mais graves do país.
JBS e o desmatamento na cadeia da carne
A JBS S.A., maior processadora de carne do mundo, aparece como apoiadora institucional do evento. A empresa foi multada pelo Ibama e denunciada por organizações nacionais e internacionais por adquirir gado proveniente de áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia, descumprindo compromissos firmados com o Ministério Público Federal.
Investigações e auditorias apontam que a empresa não monitora integralmente os fornecedores indiretos, permitindo que bois criados em fazendas embargadas por desmatamento entrem na cadeia produtiva. Apesar de ter anunciado políticas de rastreabilidade e metas de desmatamento zero, relatórios de fiscalização continuam encontrando falhas no controle ambiental de sua produção.
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