
Especialistas e organizações da sociedade civil alertam que a eliminação gradual dos combustíveis fósseis não está aparecendo na agenda de debates da COP30, marcada para Belém (PA). O principal temor é que, sem metas claras e compromissos efetivos, a conferência repita os fracassos observados na COP29, em Baku, no Azerbaijão, prejudicando os esforços globais contra a crise climática.
Para pressionar os governos, organizações da sociedade civil espalharam outdoors em Brasília durante a pré-COP, o último encontro de alto nível antes da conferência em Belém. A intenção é alertar sobre a necessidade do fim dos combustíveis fósseis.

Centro do problema
A queima de combustíveis fósseis responde por cerca de 70% das emissões globais que intensificam o aquecimento do planeta. Embora o Balanço Global do Acordo de Paris (GST) da COP28 tenha reconhecido a eliminação dos fósseis como uma ação urgente desta década, ainda faltam compromissos concretos.
Entre os objetivos que deveriam estar na pauta da Conferência em Belém estão justamente o detalhamento dessas ações. Claudio Angelo, coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima, afirmou que os principais causadores do aquecimento global, os combustíveis fósseis, simplesmente não aparecem na agenda da COP30.
“Dois anos atrás, o mundo concordou em promover a eliminação gradual do petróleo, do carvão mineral e do gás. Agora precisamos decidir em que horizonte de tempo isso deve acontecer e em que ordem, com os países ricos assumindo a liderança”, lamenta Angelo.
“A COP30 não é apenas mais uma cúpula, mas uma oportunidade histórica para mudar definitivamente o curso da história. Após 30 anos de promessas quebradas nas negociações climáticas e uma década desde o Acordo de Paris, continuamos a expandir o problema, permitindo o aumento da produção e extração de combustíveis fósseis”, afirma Kumi Naidoo, presidente da Iniciativa do Tratado sobre Combustíveis Fósseis (Fossil Fuel Non-Proliferation Treaty Initiative).
Ilan Zugman, diretor regional para a América Latina e Caribe da 350.org, destacou que a pré-COP é o último chamado do ano para que os governos mostrem, antes da COP, se estão realmente dispostos a agir. “O mundo precisa de um acordo global pela eliminação gradual, justa e equitativa dos combustíveis fósseis, que é a única forma real de enfrentar a crise climática e o ponto de partida inegociável para qualquer transição energética justa”, reforçou Zugman.
Outros temas precisam avançar
Os especialistas esperam ainda que a COP30 avance em outros temas críticos, como a interrupção e reversão do desmatamento e da degradação florestal, além de consolidar um pacote de transição energética justa, ordenada e equitativa. Para isso, segundo eles, será necessário aumentar os investimentos e os fluxos financeiros robustos destinados aos países em desenvolvimento.

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