
O Ministério Público do Amazonas (MPAM) deflagrou nesta sexta-feira (03/10/2025), em Manaus, a Operação “Face Oculta”, que resultou na prisão do vereador Rosinaldo Bual (Agir) e de sua chefe de gabinete, Luzia Seixas Barbosa. A investigação aponta um esquema de “rachadinha” na Câmara Municipal de Manaus (CMM), em que servidores eram obrigados a devolver até metade dos salários ao parlamentar.

A ação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), e cumpriu 17 mandados de busca e apreensão, inclusive na CMM e na residência do vereador, além de dois mandados de prisão preventiva. Durante as buscas, foram apreendidos computadores, celulares, notebooks, uma arma de fogo, cheques que somam mais de R$ 1 milhão e R$ 390 mil em espécie, guardados em cofres localizados em imóveis do parlamentar.
De acordo com o promotor de Justiça Leonardo Tupinambá do Valle, coordenador do Gaeco, o gabinete de Bual mantinha entre 40 e 50 servidores nomeados, número considerado muito acima da necessidade, com alta rotatividade. Parte dos salários era desviada por meio de integrantes de confiança do vereador e revertida em benefício próprio. A chefe de gabinete, segundo as investigações, atuava como operadora do esquema, cobrando diretamente os servidores comissionados.

A Justiça determinou o afastamento do vereador do mandato por 120 dias, a quebra de sigilos bancários e telemáticos e o bloqueio judicial de R$ 2,5 milhões para assegurar eventual ressarcimento aos cofres públicos. Além dos crimes de peculato, concussão, associação criminosa e lavagem de dinheiro, Bual também foi autuado em flagrante por posse irregular de arma de uso permitido.
O Ministério Público informou que há outra linha investigativa apurando se os recursos obtidos por meio da “rachadinha” eram utilizados em agiotagem. Em maio deste ano, o vereador foi acusado de prática semelhante contra um empresário de Manaus. O caso está em tramitação na Primeira Câmara Civil do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), após denúncia de invasão de imóvel para cobrança de dívida no valor de R$ 200 mil.
A operação desta sexta-feira ocorre após outros episódios envolvendo pessoas ligadas ao vereador. Durante as eleições municipais de 2024, quatro assessores de Bual foram presos em flagrante pela Polícia Federal sob suspeita de compra de votos, com apreensão de dinheiro em espécie. Em outro caso, um assessor do parlamentar foi preso em abril acusado de furtar R$ 130 mil de um cofre da residência de Bual.
Até o momento, Rosinaldo Bual é o único vereador formalmente investigado no âmbito da Operação “Face Oculta”. Contudo, em agosto deste ano, o vereador Dione Carvalho, também do partido Agir, foi indiciado pela Polícia Civil em outra investigação sobre esquema de “rachadinha” em seu gabinete.
Importunação
Em novembro de 2023, ao ver post de uma delegada de Ceilândia (DF) alertando sobre a necessidade de denunciar casos de importunação sexual, Rosinaldo Bual (então no PMN), disparou: “Eu quero é ser preso”. A delegada comentava sobre o caso de uma babá que havia sindo importunada na cidade e alertava sobre a necessidade de denunciar agressores.

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