Engrenagens

Amazonas registra aumento e envelhecimento populacional

A população do Amazonas cresceu para 4,1 milhões em 2024 e envelheceu, com mais idosos e menos jovens. O estado ampliou água e esgoto, mas 22,5% dos domicílios seguem sem rede de água e 48,4% sem coleta de esgoto, principalmente fora da capital

O Amazonas passou por forte crescimento populacional, envelhecimento demográfico e transformações na estrutura das famílias. É o que mostram os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (22/08/2025), sobre as características gerais dos domicílios e moradores do estado.

Crescimento populacional

De acordo com a pesquisa, a população do Amazonas aumentou em 586 mil habitantes entre 2012 e 2024, passando de 3,5 milhões para 4,1 milhões de pessoas, um crescimento de 16,6%. O estado registrou o segundo maior crescimento absoluto da Região Norte, atrás apenas do Pará, que ganhou 777 mil habitantes no período. Em termos proporcionais, o Amazonas foi o segundo que mais cresceu, ficando atrás de Roraima (43,1%).

Transição demográfica

A pirâmide etária aponta uma mudança expressiva na composição da população. Em 2012, crianças e adolescentes de 0 a 14 anos representavam 32% do total; em 2024, caíram para 24,2%. Já a população de 60 anos ou mais cresceu de 7% para 10,8%. Esse movimento indica um processo de envelhecimento, impulsionado pelo aumento da expectativa de vida. A faixa adulta, de 15 a 59 anos, também avançou, passando de 60,9% para 64,9% no mesmo período.

Mudanças nos domicílios

As transformações demográficas se refletiram na estrutura domiciliar. O número de domicílios unipessoais mais que dobrou, passando de 67 mil em 2012 (8% do total) para 175 mil em 2024 (14,1%). Já os domicílios nucleares caíram de 62% para 58,8% do total, e os estendidos passaram de 28% para 25,5%. Os compostos reduziram de 3% para 1,6%.

Em Manaus, as mudanças foram ainda mais marcantes. Os domicílios unipessoais passaram de 40 mil (8%) em 2012 para 118 mil (15,8%) em 2024. As unidades nucleares recuaram de 61,4% para 59,3%, enquanto os domicílios estendidos caíram de 26,7% para 23,3%. Os dados mostram ainda que uma parcela expressiva da população do Amazonas ainda vive sem acesso pleno a serviços básicos de água e esgotamento sanitário.

Falta de água encanada

Em 2024, 962 mil domicílios amazonenses estavam ligados à rede geral de distribuição de água. Isso representa 77,5% das residências do estado. Por outro lado, 22,5% dos domicílios permanecem sem água encanada. Em números absolutos, cerca de 876 mil pessoas ainda não têm acesso direto à rede de abastecimento, dependendo de poços, rios ou outras fontes alternativas.

Déficit no esgotamento sanitário

A situação do esgotamento sanitário é ainda mais preocupante. Em 2024, pouco mais da metade dos domicílios do Amazonas (51,6%) estava ligada à rede geral ou pluvial. Isso significa que 48,4% das residências do estado não têm esgoto coletado por rede pública, o equivalente a quase 2 milhões de pessoas.


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