Engrenagens

Trabalho informal atinge 53,3% no Amazonas

A taxa de desocupação no Amazonas subiu para 10,1% no 1º trimestre de 2025. Apesar disso, houve aumento na ocupação, nos salários e na formalização. Mas a informalidade segue alta: 53,3%, a quarta maior do país, com 982 mil pessoas sem vínculo formal de trabalho

A taxa de desocupação no Amazonas voltou a crescer e atingiu 10,1% no primeiro trimestre de 2025, de acordo com dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (16/05/2025), por meio da PNAD Contínua Trimestral. O percentual representa uma alta em relação ao trimestre anterior (8,3%) e também em comparação ao mesmo período do ano passado (9,8%). Ainda assim, os dados revelam uma realidade complexa e contraditória: o mercado de trabalho no estado apresenta sinais de dinamismo, mas também escancara fragilidades estruturais.

De um lado, o nível de ocupação subiu levemente, atingindo 55,7%, e a taxa de participação na força de trabalho cresceu para 61,9%, com 2,049 milhões de pessoas em busca de inserção no mercado. A população ocupada também avançou, chegando a 1,843 milhão, embora com desaceleração no ritmo de crescimento. Por outro lado, o número de pessoas desocupadas subiu de 189 mil no início de 2024 para 206 mil no mesmo período de 2025.

Outro ponto que chama atenção é o aumento na formalização: o número de empregados com carteira assinada passou de 442 mil para 482 mil em um ano. A massa de rendimento real somada também cresceu — R$ 368 milhões a mais — e o rendimento médio mensal teve um acréscimo de R$ 64, o que aponta para uma melhora geral no poder de compra dos trabalhadores.

Entretanto, a informalidade segue como um dos principais entraves ao desenvolvimento do mercado de trabalho amazonense. Com 982 mil pessoas nessa condição, o estado ostenta a quarta maior taxa de informalidade do país: 53,3%. Apenas o Pará supera esse número na região Norte. Empregadores sem CNPJ saltaram de 12 mil para 21 mil no período analisado, enquanto trabalhadores por conta própria sem registro somaram 527 mil pessoas no início de 2025 — apesar de uma leve queda em relação ao trimestre anterior.

Setores em alta e em queda

A indústria geral foi o setor com maior avanço, aumentando seu contingente de trabalhadores de 196 mil para 237 mil entre os primeiros trimestres de 2024 e 2025. Houve crescimento também nos setores de comércio, construção e administração pública.

Já a agricultura, historicamente relevante na economia regional, perdeu força: o número de ocupados no setor caiu de 295 mil para 261 mil no período. A ocupação no setor público também recuou no início de 2025, após um crescimento no trimestre anterior, caindo de 309 mil para 293 mil trabalhadores.

O emprego doméstico vive um momento ambíguo. O número de trabalhadores domésticos com carteira assinada caiu de 11 mil para 7 mil, enquanto os sem carteira aumentaram, reforçando a tendência de informalidade nesse nicho.

Mercado aquecido, mas frágil

Apesar do aumento no desemprego, os dados indicam um mercado de trabalho em expansão, com maior inserção da população economicamente ativa e ganhos reais de renda. No entanto, o crescimento da informalidade e a desaceleração na geração de novos empregos levantam alertas sobre a qualidade e sustentabilidade das oportunidades geradas.

O cenário reforça um velho dilema da região Norte: mesmo com avanços pontuais e crescimento em setores estratégicos, como a indústria, o Amazonas ainda enfrenta dificuldades estruturais para garantir trabalho digno, com carteira assinada e acesso a direitos. A alta rotatividade, a baixa formalização e a dependência de atividades informais continuam marcando o perfil do emprego no estado.


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