Engrenagens

Mulheres ganham 21,72% a menos que homens no Amazonas

Novo relatório revela que mulheres ganham, em média, 21,72% a menos que homens no Amazonas. A desigualdade também é maior entre mulheres negras, que seguem com os menores rendimentos do país

Dados do 3º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios, divulgado pelo Governo Federal, revelam um aumento na desigualdade de remuneração entre homens e mulheres no Amazonas. Segundo o levantamento, a diferença salarial entre os gêneros subiu para 21,72% em 2025, um aumento de 0,20% em relação ao relatório anterior, publicado em setembro de 2024. Na média, os homens amazonenses recebem R$ 3.622,55, enquanto as mulheres ganham R$ 2.872,07.

A discrepância no estado supera a média nacional, que também apresentou alta. No Brasil, as mulheres recebem, em média, 20,87% a menos que os homens — uma elevação de 0,18% desde o último levantamento.

A desigualdade é ainda mais evidente quando se considera o recorte racial. Mulheres negras têm os piores salários entre todos os grupos demográficos analisados. A média nacional mostra que elas recebem R$ 2.864,39, enquanto mulheres não negras ganham R$ 4.661,06 — uma diferença de 38%. No Amazonas, a média salarial das mulheres negras é de R$ 2.750,49, contra R$ 3.504,96 das mulheres não negras, o que representa um abismo de 21,5%.

Apesar das disparidades persistentes, o relatório também traz sinais de avanço. A participação de mulheres negras no mercado de trabalho cresceu 18,2%, passando de 3,2 milhões para 3,8 milhões de trabalhadoras. Além disso, o número de empresas com no máximo 10% de mulheres negras caiu de 21.680 para 20.452 em 2024. Houve também aumento na quantidade de estabelecimentos em que a diferença salarial entre homens e mulheres é inferior a 5%.

Outro ponto destacado é a evolução da presença feminina no mercado de trabalho nos últimos anos. De 2015 a 2024, o número de mulheres ocupadas passou de 38,8 milhões para 44,8 milhões, enquanto o de homens subiu de 53,5 milhões para 59 milhões. Mesmo assim, a participação feminina na massa salarial total subiu apenas de 35,7% para 37,4%, reflexo direto das remunerações menores.

O relatório ainda evidencia desigualdades por ocupação. Mulheres em cargos de direção e gerência recebem apenas 73,2% do salário de seus colegas homens. Entre as profissionais com nível superior, essa proporção cai para 68,5%. Já em funções administrativas, elas ganham 79,8% do que os homens recebem.

No comparativo entre estados, Pernambuco (9,14%), Acre (9,86%), Distrito Federal (9,97%) e Piauí (10,04%) aparecem com os menores índices de desigualdade. Na contramão, Paraná (28,54%), Espírito Santo (28,53%) e Santa Catarina (27,96%) lideram o ranking da disparidade.

Segundo a subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Paula Montagner, o crescimento da presença feminina no mercado ainda não se traduz em equiparação de remuneração. “Essa relativa estabilidade decorre das remunerações menores das mulheres, uma vez que o número delas no mercado de trabalho é crescente”, afirma.


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