Um estudo publicado nesta segunda-feira (10/03/2025) na revista científica “Forest Ecology and Management” revelou que florestas frequentemente atingidas por fogo e seca perdem sua capacidade de retirar carbono da atmosfera e armazená-lo no solo. A pesquisa, conduzida pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), é uma das primeiras a investigar a relação entre queimadas e o solo na região amazônica.
O levantamento foi realizado entre 2004 e 2010 na Estação de Pesquisa Tanguro, um centro científico localizado na Amazônia e mantido pelo IPAM e parceiros. Segundo Leonardo Maracahipes-Santos, coordenador da estação e um dos autores do estudo, a frequência dos eventos extremos prejudica a capacidade da floresta de se recuperar.
Impacto no armazenamento de carbono
Os pesquisadores observaram que a troca de carbono entre o solo e a atmosfera foi 18,7% menor nas áreas atingidas pelo fogo. O motivo é o aumento na mortalidade das árvores e raízes, combinado com o estresse causado pela seca, o que compromete o processo de fotossíntese — essencial para capturar carbono do ar e transformá-lo em energia.
Esse efeito prejudica ainda mais a floresta, que precisa recorrer a reservas antigas de energia para sobreviver. Isso a torna mais vulnerável a futuros eventos extremos, que tendem a se intensificar com o aumento da temperatura global.
Metodologia e medições
O estudo analisou a troca de carbono entre o solo e a atmosfera por meio de registros mensais com o equipamento EGM-4, que mede a circulação de ar entre os dois ambientes. Para avaliar o crescimento das raízes finas, fundamentais para a sobrevivência das árvores, foram instalados canos com telas no solo, removidos a cada três meses para medição.
Já a análise do uso de reservas de energia das árvores foi feita pela datação do carbono presente nas moléculas de açúcares e amidos das plantas, substâncias que garantem o crescimento de raízes. A idade desse carbono ajudou a identificar o uso de reservas de energia antigas, evidenciando a redução da capacidade de produção de novas moléculas energéticas.
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