Engrenagens

Bairro da Redenção foi classificado como área de risco pelo SGB em 2019

O bairro da Redenção, onde um desabamento matou duas pessoas no domingo, foi classificado como área de alto risco pelo Serviço Geológico do Brasil em 2019. Enquanto Manaus tem 52.571 imóveis em áreas de risco, prefeitura só elaborou plano de contingência este ano

Segundo o Mapeamento de Áreas de Risco Geológico da Zona Urbana de Manaus, realizado pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), feito em 2019, o bairro da Redenção, Zona Centro-Oeste de Manaus, está entre as regiões classificadas com setores de risco alto e muito alto devido às características do relevo e à ocupação desordenada. O local foi palco de mais desabamento ocorrido no último domingo (19/01/2025), no qual resultou em duas mortes e deixou dezenas de pessoas desabrigadas.

Rua Bispo de Hebron, 197, bairro Redenção, na Zona Centro-Oeste de Manaus, está documentada como área de alto risco de desabamento desde 2019 pela Defesa Civil

Em comunicado para a imprensa, a Prefeitura de Manaus afirmou estar tomando medidas com base no ações do Plano de Contingência do Município (Plancon). O problema é que segundo a própria prefeitura, o protocolo só foi criado em 2024.

O documento aponta que o crescimento desordenado na região ocorre há décadas, com famílias construindo habitações precárias em encostas e áreas de fundo de vale. Esses fatores aumentam a vulnerabilidade das comunidades locais frente a desastres naturais. Segundo o documento, terrenos com declividade superior a 17 graus, aliados à presença de solos instáveis e à falta de infraestrutura adequada, tornam a área suscetível a deslizamentos, especialmente durante o período chuvoso, que se intensifica entre os meses de dezembro e abril.

Moradores relataram que o desabamento foi precedido por fortes chuvas, com acúmulo de mais de 70 mm em poucas horas — um volume que, conforme o CPRM, é suficiente para deflagrar deslizamentos em áreas vulneráveis. Testemunhas também mencionaram trincas em paredes e muros, sinais de instabilidade que já vinham sendo ignorados há meses.

De acordo com a Defesa Civil, os taludes naturais da área estavam comprometidos por erosão e falta de vegetação protetora. Além disso, a presença de esgotos a céu aberto e o despejo irregular de lixo contribuíram para a instabilidade do terreno, agravando a situação.

Responsabilidades e prevenção

A prefeitura anunciou a abertura de uma investigação para apurar as causas do incidente e revisar o planejamento de ações de emergência na região. Porém, para muitas famílias, o que resta é o sentimento de abandono e a esperança por um futuro mais seguro. Segundo o prefeito David Almeida, foram contidos 32 pontos de erosão na cidade em toda sua primeira gestão, de 2021 a 2024.

Mas o problema é muito maior do que isso. De acordo com o mapeamento do SGB, foram identificados nada menos que 52.571 imóveis em áreas de risco em Manaus. Só no bairro da Redenção, onde aconteceu a tragédia de domingo, aproximadamente 1.200 imóveis foram classificados como em risco alto ou muito alto.

Moradores afirmam que as ações da prefeitura se limitaram a notificares e às vezes à remoção temporária de famílias, sem soluções definitivas. Uma testemunha que reside no local e pediu ao Vocativo para não ser identificada afirmou que o cadastro de moradores só foi feito no dia da tragédia e que nenhum alerta foi feito antes disso.


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