Segundo o Mapeamento de Áreas de Risco Geológico da Zona Urbana de Manaus, realizado pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), feito em 2019, o bairro da Redenção, Zona Centro-Oeste de Manaus, está entre as regiões classificadas com setores de risco alto e muito alto devido às características do relevo e à ocupação desordenada. O local foi palco de mais desabamento ocorrido no último domingo (19/01/2025), no qual resultou em duas mortes e deixou dezenas de pessoas desabrigadas.

Em comunicado para a imprensa, a Prefeitura de Manaus afirmou estar tomando medidas com base no ações do Plano de Contingência do Município (Plancon). O problema é que segundo a própria prefeitura, o protocolo só foi criado em 2024.
O documento aponta que o crescimento desordenado na região ocorre há décadas, com famílias construindo habitações precárias em encostas e áreas de fundo de vale. Esses fatores aumentam a vulnerabilidade das comunidades locais frente a desastres naturais. Segundo o documento, terrenos com declividade superior a 17 graus, aliados à presença de solos instáveis e à falta de infraestrutura adequada, tornam a área suscetível a deslizamentos, especialmente durante o período chuvoso, que se intensifica entre os meses de dezembro e abril.
Moradores relataram que o desabamento foi precedido por fortes chuvas, com acúmulo de mais de 70 mm em poucas horas — um volume que, conforme o CPRM, é suficiente para deflagrar deslizamentos em áreas vulneráveis. Testemunhas também mencionaram trincas em paredes e muros, sinais de instabilidade que já vinham sendo ignorados há meses.
De acordo com a Defesa Civil, os taludes naturais da área estavam comprometidos por erosão e falta de vegetação protetora. Além disso, a presença de esgotos a céu aberto e o despejo irregular de lixo contribuíram para a instabilidade do terreno, agravando a situação.
Responsabilidades e prevenção
A prefeitura anunciou a abertura de uma investigação para apurar as causas do incidente e revisar o planejamento de ações de emergência na região. Porém, para muitas famílias, o que resta é o sentimento de abandono e a esperança por um futuro mais seguro. Segundo o prefeito David Almeida, foram contidos 32 pontos de erosão na cidade em toda sua primeira gestão, de 2021 a 2024.
Mas o problema é muito maior do que isso. De acordo com o mapeamento do SGB, foram identificados nada menos que 52.571 imóveis em áreas de risco em Manaus. Só no bairro da Redenção, onde aconteceu a tragédia de domingo, aproximadamente 1.200 imóveis foram classificados como em risco alto ou muito alto.
Moradores afirmam que as ações da prefeitura se limitaram a notificares e às vezes à remoção temporária de famílias, sem soluções definitivas. Uma testemunha que reside no local e pediu ao Vocativo para não ser identificada afirmou que o cadastro de moradores só foi feito no dia da tragédia e que nenhum alerta foi feito antes disso.
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