Territórios

Amazônia: Incêndios subiram 64% em florestas públicas em 2024

Incêndios em florestas públicas não destinadas da Amazônia subiram 64% em 2024, queimando 2,46 milhões de ha. Grilagem é a principal causa, alerta o IPAM, com risco de 8 bilhões de toneladas de CO₂ emitidas. Setembro teve recorde de área queimada desde 2019

Os incêndios em florestas públicas não destinadas da Amazônia aumentaram 64% em 2024 em relação ao ano anterior, segundo uma análise do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) divulgada nesta sexta-feira (17/01/2025). Em 2024, a área queimada nessas regiões somou 2.460.082 hectares, enquanto, em 2023, foi de 1.498.320 hectares. Setembro foi o mês com maior concentração de fogo, totalizando 756,3 mil hectares queimados — a maior área registrada em um único mês desde 2019 pelo Monitor do Fogo, uma iniciativa do IPAM em parceria com a rede MapBiomas.

Apesar da queda de 20% no desmatamento no bioma amazônico — passando de 136.602 hectares em 2023 para 109.411 hectares em 2024 em florestas públicas não destinadas —, os números reforçam a persistência dos incêndios. “A grilagem de florestas públicas não destinadas ainda é o motor da destruição da Amazônia brasileira. O desmatamento e o fogo fazem parte do mesmo processo de ocupação ilegal de terras. É por isso que a redução do desmate deve ser acompanhada de políticas de destinação dessas florestas”, afirma Paulo Moutinho, pesquisador sênior do IPAM.

O que são florestas públicas não destinadas?

As florestas públicas não destinadas somam 56,5 milhões de hectares na Amazônia, o equivalente ao tamanho da Espanha. São áreas sob domínio estadual ou federal que ainda precisam de uma destinação de uso, o qual, pela Lei de Gestão de Florestas Públicas de 2006, deve ser para conservação, uso sustentável de recursos naturais ou terra indígena. Cerca de 60% destas florestas estão localizadas no Estado do Amazonas.

Grilagem: uma ameaça crescente

O IPAM alerta que mais de 20 milhões de hectares de florestas públicas não destinadas estão em risco de grilagem. Isso ocorre por meio de registros irregulares no Cadastro Ambiental Rural (CAR), onde supostos proprietários declaram essas áreas como privadas. “O uso fraudulento do CAR é uma bomba-relógio de desmatamento futuro. Esse instrumento, criado para regularização ambiental, está sendo utilizado como documento de posse de terras, o que é ilegal, especialmente em relação a patrimônios públicos”, acrescenta Moutinho.

Se a grilagem continuar a esgotar essas florestas, o IPAM estima que poderá haver a emissão de cerca de 8 bilhões de toneladas de carbono — equivalente a um ano de emissões globais de gases de efeito estufa. Essa emissão teria impactos graves na regulação do clima, na biodiversidade, na produção de alimentos e na saúde da população, tanto em escala local quanto regional.

Metodologia da análise

A análise combinou dados das áreas de florestas públicas não destinadas da Amazônia, compilados pelo IPAM, com informações do Monitor do Fogo e do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os resultados foram atualizados no Observatório de Florestas Públicas, coordenado pelo IPAM e pela iniciativa Amazônia de Pé.


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