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AM: 82,1% das crianças em situação de pobreza não frequentam creches

Ainda que a média nacional de frequência a creches seja baixa entre os grupos prioritários (43%), o Amazonas está abaixo da média, com índices que refletem a escassez de infraestrutura e políticas públicas voltadas à educação infantil

Um novo estudo da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal destaca o grave cenário de desigualdade no acesso à educação infantil no Brasil, com foco em crianças de 0 a 3 anos em situação de vulnerabilidade social. O Amazonas, em particular, apresenta indicadores alarmantes: 82,1% das crianças em situação de pobreza não frequentam creches, e para 67,2% delas, a ausência de vagas é o principal obstáculo.

O retrato da desigualdade no estado

No Amazonas, 25,8% das crianças de 0 a 3 anos vivem em situação de pobreza, conforme o Índice de Necessidade de Creches (INC). Entre essas crianças, a maioria enfrenta barreiras significativas para acessar a educação infantil, uma etapa crucial para o desenvolvimento social e cognitivo. A falta de creches próximas e de vagas adequadas são os principais fatores que excluem essas crianças de seus direitos constitucionais.

Ainda que a média nacional de frequência a creches seja baixa entre os grupos prioritários (43%), o Amazonas está abaixo da média, com índices que refletem a escassez de infraestrutura e políticas públicas voltadas à educação infantil.

Impactos sociais e econômicos

O estudo aponta que a falta de acesso às creches afeta diretamente o desenvolvimento das crianças e a qualidade de vida de suas famílias. No Amazonas, muitas mães ou responsáveis ficam impossibilitados de ingressar no mercado de trabalho devido à ausência de um local seguro e educativo para seus filhos.

“O acesso à creche não é apenas uma questão de educação, mas também de justiça social e desenvolvimento econômico. Quando crianças vulneráveis não têm acesso, perpetuamos ciclos de pobreza e desigualdade”, afirmou Mariana Luz, CEO da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal.

Comparações regionais

Embora a situação no Amazonas seja crítica, outros estados da região Norte, como Roraima, enfrentam índices ainda mais preocupantes, com 95,4% das crianças em situação de pobreza fora das creches. Em contraste, São Paulo se destaca positivamente: 54,7% das crianças em situação de pobreza têm acesso garantido às creches.

Caminhos para o futuro

A ampliação e qualificação da rede de creches no Amazonas são desafios urgentes. Investimentos na construção de unidades próximas às comunidades vulneráveis e no aumento de vagas são essenciais para garantir que as crianças tenham acesso ao direito básico à educação infantil.

Enquanto isso, a mobilização social e a atuação de organizações como a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal são fundamentais para pressionar gestores públicos e conscientizar a sociedade sobre a importância da educação infantil como alicerce para o futuro do país.


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