O Censo Demográfico 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que o Amazonas possui 392 favelas e comunidades urbanas, o que corresponde a 3,2% das áreas desse tipo no Brasil. O estado é o 11º em número de favelas no país, e Manaus, sua capital, concentra a maior parte dessas áreas, com 236 comunidades.
No cenário nacional, o Amazonas ocupa a 11ª posição entre as unidades federativas com mais favelas e comunidades urbanas. À frente, destacam-se São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco, com 3.123, 1.724 e 849 áreas, respectivamente. Entre os estados com menor número de favelas estão Roraima (10), Mato Grosso do Sul (31) e Tocantins (39).
Com 1.438 favelas na Região Norte, o Amazonas contribui significativamente para a terceira maior concentração regional de áreas vulneráveis no país, enquanto o Sudeste e o Nordeste possuem as maiores concentrações, com 6.016 e 3.313 comunidades, respectivamente.
Demografia e características sociais nas áreas de favelas
A população residente em áreas de favelas e comunidades urbanas do Amazonas totaliza cerca de 1,3 milhão de pessoas, sendo que, em Manaus, as maiores comunidades em número de habitantes incluem a Cidade de Deus/Alfredo Nascimento, com 55,8 mil pessoas, e a Comunidade São Lucas, com 53,6 mil pessoas. Fora da capital, as comunidades com maior número de habitantes foram registradas em Itacoatiara e Coari.
Em termos de etnia, o Censo apontou que, entre os residentes dessas áreas no estado, 73,5% são de cor parda, seguidos de 18,8% de brancos. Em Manaus, esse índice de pessoas pardas é de 73,1%. A predominância feminina também é um aspecto relevante, com mulheres representando 50,9% da população em favelas e comunidades urbanas do Amazonas.
Jovens em áreas de favelas e menor idade mediana do país
A faixa etária predominante em áreas de favelas no Amazonas é a de jovens entre 20 e 24 anos, com 9,5% da população nessas condições, enquanto em Manaus, a segunda faixa mais comum é a de 25 a 29 anos. A idade mediana no estado, de 27 anos, é a mais baixa do Brasil para essas áreas, reforçando o perfil jovem de seus moradores.
Em Manaus, a comunidade com a idade mediana mais alta é a Alameda Cabral, onde essa média é de 45 anos. Por outro lado, Tabatinga abriga uma das comunidades mais jovens do estado, a Invasão da Dona Branca, onde a idade mediana é de apenas 16 anos.
Condições de infraestrutura e serviços
Embora o Amazonas registre um dos menores percentuais de domicílios sem água canalizada entre os estados do Norte (1,5%), ainda há deficiências na infraestrutura de esgotamento sanitário. A fossa rudimentar é a segunda forma mais comum de esgotamento, presente em 24,9% dos domicílios nas favelas amazonenses.
A coleta de lixo nas áreas de favelas e comunidades urbanas do estado é realizada em 88% dos domicílios, enquanto em Manaus esse percentual é um pouco maior, chegando a 90,3%. Algumas comunidades na capital, no entanto, apresentam índices críticos, como o Conjunto Cidadão V, onde apenas 4,89% dos domicílios possuem coleta de lixo.
Desafios e vulnerabilidade das populações indígenas
No Amazonas, 17,9% dos 491 mil indígenas vivem em favelas e comunidades urbanas, com concentração mais alta em Manaus. Na capital, 74,3% dos indígenas vivem nessas áreas, evidenciando a vulnerabilidade social de populações originárias. O município de Santo Antônio do Içá possui a maior favela indígena em número de moradores (2.737 pessoas), enquanto a comunidade Santo Antônio, em Barcelos, destaca-se pela maior proporção de indígenas, com 92,2%.
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