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UOL: PF investiga David Almeida por suposto esquema de propina

A denúncia surgiu após a interceptação de conversas telefônicas entre empresários locais e a prefeitura, sugerindo um esquema de favorecimento nas licitações públicas em troca de valores indevidos

Segundo matéria desta quarta-feira (02/10/2024) do Portal UOL, a Polícia Federal abriu uma investigação contra o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), suspeito de envolvimento em um esquema de corrupção que envolve propina e fraudes em licitações. A denúncia surgiu após a interceptação de conversas telefônicas entre empresários locais e a prefeitura, sugerindo um esquema de favorecimento nas licitações públicas em troca de valores indevidos. A investigação inclui empresas que patrocinam o evento cultural “Sou Manaus”, uma das maiores vitrines culturais da região.

De acordo com relatório do Ministério Público Federal (MPF), ao qual o UOL teve acesso, a propina de R$ 100 mil teria sido paga por José Antonio Marques, sócio da Tumpex, empresa responsável pela coleta de lixo em Manaus. O valor teria sido entregue à secretária de Educação, Dulce Almeida, irmã do prefeito, em troca de favorecimentos em licitações da Secretaria de Infraestrutura. A licitação sob suspeita envolvia um contrato de R$ 6 milhões para a compra de materiais de construção, como sacos de ráfia, usados em obras de pavimentação.

Além dessa denúncia, novas revelações envolvem patrocinadores do festival “Sou Manaus”, evento amplamente promovido pela prefeitura e que conta com apoio de grandes marcas. O Vocativo apontou que alguns dos principais patrocinadores do evento estão ligados a polêmicas semelhantes de corrupção. Empresas como a Tumpex, mencionada no esquema de propina, já foram alvo de investigações anteriores por sonegação fiscal e fraudes tributárias, com uma dívida de R$ 120,7 milhões não recolhidos entre 2016 e 2019.

Em junho de 2023, os donos da Tumpex foram presos na Operação Entulho , por sonegação fiscal, obtenção de notas fiscais “frias” e lavagem de dinheiro. Segundo a Polícia Federal, a Tumpex usava cerca de 31 empresas de fachada, escritório de contabilidade, além de seus respectivos sócios e empregados das empresas de coleta de lixo e limpeza pública para a lavagem do dinheiro. O valor total da fraude chegaria a R$ 245 milhões.

A relação entre a Prefeitura de Manaus e Tumpex não é de hoje. Na verdade, ela é bem antiga. A primeira e única licitação do serviço feita até hoje teve essa empresa como vencedora no distante ano de 2003, na gestão do ex-prefeito Alfredo Nascimento. De lá pra cá, a empresa consegue prorrogação de contrato licitatório. Mas ela não é o único caso.

Os áudios obtidos pela PF revelam que José Antonio mencionou o recebimento de informações privilegiadas sobre o número de lotes das licitações antes mesmo da publicação dos editais. Isso permitiu que ele tivesse uma vantagem competitiva em contratos que somavam R$ 35 milhões, relacionados à compra de brita e areia.

A defesa do prefeito nega veementemente as acusações, afirmando que se trata de uma tentativa de prejudicar sua campanha à reeleição, já que ele lidera as pesquisas com 29,5% das intenções de voto. David Almeida também prometeu abrir processos cíveis e criminais contra os responsáveis pelas denúncias. Em nota, a Prefeitura de Manaus declarou que as investigações “não apontam qualquer crime relacionado à atual gestão” e criticou a tentativa de adversários políticos em usar a imprensa para difundir inverdades.

A investigação segue em curso, com a PF aprofundando as análises sobre os contratos e as possíveis irregularidades nas licitações da prefeitura. As revelações têm potencial de causar impactos significativos no cenário eleitoral de Manaus, especialmente com a proximidade das eleições municipais de 2024.


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