O estado do Amazonas, que historicamente apresentava baixas taxas de desmatamento, assumiu a liderançna na devastação florestal na Amazônia, de acordo com dados recentes do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Embora o calendário do desmatamento 2024, que abrange de agosto de 2023 a julho de 2024, tenha registrado uma redução significativa de 46% na área desmatada em comparação ao período anterior, o estado agora lidera o ranking na região.
No período avaliado, o Amazonas foi responsável por 28% da remoção total de florestas na Amazônia Legal, superando estados tradicionalmente mais afetados como o Pará e o Acre. Em termos absolutos, o estado perdeu 495 km² de vegetação, contribuindo para um total de 3.490 km² desmatados em toda a região amazônica. Esse é o menor território detectado pelo SAD desde 2017, mas a cifra ainda equivale a 349 mil campos de futebol de floresta nativa.
Os números de julho de 2024, no entanto, mostram uma tendência alarmante. Em apenas um mês, o desmatamento no Amazonas cresceu de maneira expressiva, refletindo um aumento de 29% na área desmatada em toda a Amazônia, que passou de 499 km² em julho de 2023 para 642 km² no mesmo mês deste ano. Esse foi o segundo mês consecutivo de alta, rompendo uma sequência de 14 meses de queda nos índices de devastação.
Carlos Souza Jr., pesquisador do Imazon, destaca a gravidade da situação: “Infelizmente, o estado do Amazonas vem se consolidando como um novo epicentro de desmatamento. Ele era o estado com as maiores áreas de florestas do Brasil e com as taxas mais baixas de derrubada, e agora a situação mudou em plena crise climática. A intensificação das medidas de fiscalização e a penalização rigorosa dos desmatadores ilegais são cruciais para conter essa escalada.”
A pressão sobre o Amazonas é refletida também nas unidades de conservação (UCs) do estado. Em julho de 2024, a destruição nessas áreas cresceu 14% em comparação ao mesmo mês do ano anterior. A Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, no Acre, foi a mais afetada, mas o impacto nas UCs do Amazonas também foi significativo, indicando que as áreas protegidas estão cada vez mais vulneráveis.
Além do desmatamento, a degradação florestal, que inclui a retirada parcial da vegetação e é frequentemente associada à extração madeireira e às queimadas, também apresentou um aumento preocupante. Em julho de 2024, a degradação cresceu 55% em relação ao mesmo período de 2023, atingindo 175 km². O Amazonas, que contribuiu com 13% dessa degradação, está agora no epicentro de uma crise ambiental que se agrava mês a mês.
A pesquisadora do Imazon, Larissa Amorim, sublinha a necessidade de uma ação imediata e coordenada para reverter essa tendência. “Os órgãos responsáveis devem viabilizar o processo de destinação de terras públicas para a criação de novas áreas protegidas, além de acelerar a titulação de territórios quilombolas e a homologação de terras indígenas. Assim, será possível promover uma maior defesa da floresta por meio da lei, combater a grilagem de terras e melhorar a segurança dos povos e comunidades locais.”
Com a aproximação dos meses mais secos do ano, historicamente associados a maiores índices de desmatamento e degradação, a situação no Amazonas e em toda a Amazônia Legal exige vigilância redobrada. O que está em jogo não é apenas a preservação de uma das maiores biodiversidades do planeta, mas também o combate a uma crise climática que afeta diretamente a vida das populações locais e a saúde de todo o país.
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