Manaus voltou a ficar coberta pela fumaça de queimadas da Floresta Amazônica nos últimos dias, deixando a qualidade do ar da cidade em níveis perigosos. O fato confirma as perspectivas pessimistas de que a capital e outras cidades da região passariam pelo segundo ano consecutivo pelo mesmo transtorno de conviver com péssimos índices de qualidade do ar nos próximos meses, em virtude da destruição da floresta e eventos climáticos extremos.
Enquanto isso, segundo dados da Lei Orçamentária Anual (LOA) do Amazonas para 2024, o valor da verba do governo do Amazonas para o programa de Elaboração e Implementação da Política de Desenvolvimento Sustentável e Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas e Monitoramento Ambiental é de apenas R$ 23.823,00.

O montante previsto para Serviços Ambientais, Adaptação e Mitigação às Mudanças do Clima é ainda menor: R$ 11.173,00. Já os recursos para a Secretaria de Energia, Mineração e Gás será de R$ 4 milhões. Vale ressaltar que ambos os valores são menores do que o salário mensal do governador Wilson Lima (União Brasil), que é de R$ 34.070,00.
Sinais de alerta
Ao longo de 2023, a influência do fenômeno El Niño e o aquecimento da porção Norte do Oceano Atlântico deixaram o clima na Amazônia mais seco, o que favoreceu o acúmulo e distribuição de fumaça pelo ar, cobrindo diversas cidades, especialmente Manaus. Em junho deste ano, o Vocativo alertara que s estiagem de 2024 no Amazonas poderia ser tão ou mais severa quanto a do ano passado. Alertas de órgãos do governo e de um pesquisador apontavam que seria melhor estar preparado para o pior.
Em julho, o site também divulgou que entre os dias 01 e 25 de junho de 2023, o Monitor de Queimadas havia registrado 93 focos ativos em todo Amazonas. Do dia 01 até 25 de junho deste ano, foram registados mais do que o dobro: 196, o que representa aumento de 110%. Nas redes sociais, diversos usuários já haviam começado a reclamar do cheiro de fumaça.
Queda na qualidade do ar
Dados do Índice Mundial de Qualidade do Ar (AQICN) apontou qualidade do ar “insalubre” e “não saudável para grupos sensíveis” ao longo deste domingo em todos os bairros da cidade. Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), o município de Apuí vem concentrando a maior parte dos focos de calor, chegando a 51,9% de todos os focos desde o último dia 02, com 112 registros.
Já os dados do programa “Queimadas”, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontam que em todo o Estado do Amazonas foram registrados 706 focos de queimadas, conforme levantamento realizado desde a última sexta-feira, 9, até este domingo, 11/8.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Mudança do Clima (Semmasclima) alega que, até o momento, não há registro de grandes focos de queimada em Manaus. Ainda segundo a secretaria, que alega ter se baseado em dados do Inpe, foram registrados 29 focos nos municípios da Região Metropolitana de Manaus: Manacapuru (9); Autazes (8); Careiro (5); Careiro da Várzea (5); Itacoatiara (2) e Manaquiri (1).
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