Territórios

Bancos financiaram propriedades com irregularidades na Amazônia

Segundo análise feita pelo Greepeace, brechas nas regulamentações facilitam o acesso de desmatadores e grileiros a créditos rurais, alimentando a destruição ambiental e violações de direitos em todo o bioma

Bancos públicos e privados, nacionais e internacionais, destinaram mais de R$ 43 milhões em crédito rural, entre 2018 e 2023, para 12 propriedades rurais envolvidas com diversas irregularidades socioambientais na Amazônia. É o que mostra o relatório Bancando a extinção: bancos e investidores como sócios no desmatamento, uma investigação realizada pelo Greenpeace Brasil ao longo de mais de um ano e divulgada nesta segunda-feira (08/04/2024).

O documento revela um cenário alarmante no que diz respeito ao financiamento público para atividades agropecuárias na Amazônia. Segundo análise feita pelo Greepeace, brechas nas regulamentações facilitam o acesso de desmatadores e grileiros a créditos rurais, alimentando a destruição ambiental e violações de direitos em todo o bioma.

Um dos casos emblemáticos apresentados é o da Fazenda Arizona, localizada em Rio Branco (AC). A fazenda, que possui metade de sua área sobreposta a uma Floresta Pública Não Destinada (FPND), acumulou um desmatamento de 420 hectares entre 2016 e 2022. Surpreendentemente, o proprietário obteve créditos rurais totalizando mais de R$ 16,7 milhões, sendo R$ 1,4 milhão do Banco do Brasil e outros valores do Banco da Amazônia, apesar do histórico de desmatamento.

Outro caso é o da Fazenda Cachoeira Dourada, em Novo Repartimento (PA), multada pelo Ibama por desmatamento ilegal e embargada pelo órgão federal. Mesmo assim, o proprietário conseguiu financiamento de mais de R$ 885 mil, facilitando transações comerciais com outras fazendas e o envio de gado para frigoríficos.

O estudo também destaca a concessão de crédito rural para propriedades em terras indígenas, áreas de proteção integral e unidades de conservação, evidenciando uma falha crítica no sistema financeiro. Imagens aéreas mostram fazendas sobrepostas a terras indígenas, recebendo financiamento público e contribuindo para o desmatamento e avanço das pastagens ilegais.

Reformas urgentes

Cristiane Mazzetti, porta-voz do Greenpeace Brasil, ressalta a urgência de reformas no sistema financeiro para evitar que recursos sejam direcionados a atividades que resultam na destruição ambiental e violação de direitos humanos. “É necessário maior rigor nas regulamentações e o monitoramento contínuo das propriedades financiadas, bem como a verificação da legalidade do desmatamento”, alertou.

Além disso, Mazzetti enfatiza a importância de uma reforma global do sistema financeiro, alinhando todos os fluxos financeiros aos compromissos estabelecidos no Acordo de Paris e no Marco Global da Biodiversidade. Segundo ela, é crucial impedir que o dinheiro continue fluindo para atividades que contribuem para as múltiplas crises ambientais que o mundo enfrenta.

Diante dessas revelações, fica evidente a necessidade urgente de uma revisão completa das políticas de concessão de crédito rural, com medidas efetivas para combater o financiamento de atividades destrutivas na Amazônia e garantir a preservação deste importante bioma para as gerações futuras.


Descubra mais sobre Vocativo

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.