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Se a Amazônia Legal fosse um país, seria o 4º mais violento

Atualmente, se a Amazônia Legal fosse considerada um país independente, ocuparia a alarmante posição de 4º lugar entre os mais violentos globalmente, ficando atrás somente de El Salvador, Venezuela e Honduras

Até o início dos anos 2000, a Amazônia era conhecida por ser uma das regiões com menores índices de violência no Brasil. No entanto, recentes dados revelam uma preocupante transformação nesse cenário, impulsionada pela falta de oportunidades econômicas, pela presença crescente da ilegalidade e crime organizado na região. Atualmente, se a Amazônia Legal fosse considerada um país independente, ocuparia a alarmante posição de 4º lugar entre os mais violentos globalmente, ficando atrás somente de El Salvador, Venezuela e Honduras.

Essa informação faz parte do estudo Fatos da Amazônia, do projeto Amazônia 2030, uma iniciativa de pesquisadores brasileiros em prol do desenvolvimento sustentável da Amazônia. Em 2019, quatro dos dez municípios mais violentos do Brasil ficavam na Amazônia Legal. Entre os 100 mais violentos, 23 eram da região. A taxa de homicídios nos estados aumentou em mais de 100% desde os anos 2000, saltando de menos de 20 para mais de 40 por 100 mil habitantes, em 2017.

Em 2007, a taxa de homicídios na Amazônia igualou-se à média nacional, mantendo uma trajetória ascendente até atingir 43 homicídios por 100 mil habitantes, dez anos depois. Embora tenha havido uma queda após esse ano, a situação permanece alarmante. Em 2020, vários municípios da Amazônia Legal registraram índices superiores a 70 homicídios por 100 mil habitantes, sinalizando uma crise que demanda atenção imediata e efetiva.

Segundo o relatório Cartografias da Violência na Amazônia, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e do Instituto Mãe Crioula, com base em números das secretarias estaduais de Segurança Pública e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa média de mortes violentas intencionais na Amazônia foi 45% superior à média nacional em 2022. O Brasil registrou, no ano passado, taxa de violência letal de 23,3 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes. Nas cidades que compõem a Amazônia Legal, a taxa chegou a 33,8 por 100 mil.

“Se o desmatamento desenfreado e a exploração ilegal de minérios são variáveis presentes há décadas na região, que também convive diariamente com a violência decorrente dos conflitos fundiários, a disseminação de facções criminosas que atuam especialmente no narcotráfico é um fenômeno que se consolidou há cerca de uma década, gerando crescimento dos homicídios e ameaçando ainda mais o modo de vida dos povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas”, diz o documento.

A taxa de feminicídio nos municípios amazônicos foi de 1,8 para cada 100 mil mulheres, 30,8% maior do que média nacional (1,4 por 100 mil). A taxa de mortes violentas intencionais de mulheres – incluindo feminicídios, homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte – foi de 5,2 por 100mil mulheres, 34% superior à média nacional, de 3,9 por 100 mil.


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