Humanidades

Em 30 anos, dias com ondas de calor no país sobrem 742%

Nos últimos 60 anos, o número de ondas de calor no Brasil subiu nada menos que 742%

Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) avaliaram os dados sobre as mudanças do clima observadas no Brasil nos últimos 60 anos. E o resultado foi assustador. Os dados indicam que houve aumento gradual das ondas de calor ao longo em praticamente todo o Brasil, exceto a região Sul, a metade sul do estado de São Paulo e o sul do Mato Grosso do Sul.

Os cálculos foram efetuados para todo o território brasileiro e consideraram o período de 1961 a 2020. Os especialistas estabeleceram 1961 a 1990 como período de referência, e efetuaram análises segmentadas sobre o que aconteceu com o clima para três períodos: 1991-2000, 2001-2010 e 2011-2020.

No primeiro período avaliado, de 1961 a 1991, o número de dias com ondas de calor não ultrapassava sete. Já no período de 1991 a 2000 o número de ondas de calor subiu para 20 dias; entre 2001 e 2010 atingiu 40 dias; e de 2011 a 2020, o número de dias com ondas de calor chegou a 52 dias. Esse número representa um crescimento de 742%.

Entre 1991 e 2000, as altas de temperatura máxima fora do comum não passavam de cerca de 1,5°C. Porém, atingiram 3°C em alguns locais para o período de 2011 a 2020, especialmente na região Nordeste e proximidades. No primeiro período do estudo (1961 a 1991), a média de temperatura máxima no Nordeste era de 30,7°C e sobe, gradualmente, para 31,2°C em 1991-2000, 31,6°C em 2001-2010 e 32,2°C em 2011-2020.

Um dado que mostra a confiabilidade do estudo é como mediram essas ondas. Para o estudo, foram considerados dados observacionais de 1.252 estações meteorológicas convencionais, sendo 642 estações manuais e 610 automáticas para construir as séries de temperatura máxima, e um total de 11.473 pluviômetros para os dados de precipitação.

“O mais recente relatório do IPCC destacou que as mudanças climáticas estão impactando diversas regiões do mundo de maneiras distintas. Nossas análises revelam claramente que o Brasil já experimenta essas transformações, evidenciadas pelo aumento na frequência e intensidade de eventos climáticos extremos em várias regiões desde 1961 e irão se agravar nas próximas décadas proporcionalmente ao aquecimento global”, ressaltou o pesquisador do Inpe Lincoln Alves, que coordenou os estudos.

Com informações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI)

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